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domingo, março 15, 2026

Furo por água revela líquido tipo petróleo e intriga Tabuleiro-CE

Furo por água revela líquido tipo petróleo e intriga Tabuleiro-CE

Tabuleiro do Norte (CE) – Meses depois de perfurar o solo para instalar um poço artesiano, o agricultor Sidrônio Moreira ainda aguarda a confirmação de que o líquido preto que jorrou em sua propriedade é, de fato, petróleo. Enquanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) analisa o caso, a família continua sem água encanada e depende de carro-pipa.

  • Em resumo: Perfuração por água expôs fluido com características de petróleo a apenas 11 km de bloco oficial de exploração.

Perguntas sem resposta: quem pode explorar e quando?

A área onde o possível óleo surgiu não faz parte de bloco leiloado pela ANP, mas fica colada à Bacia Potiguar, hoje responsável por 4% da produção nacional. Se a substância for confirmada, o terreno entrará no mapa de concessões e só empresas vencedoras de leilão poderão explorar, não o proprietário da terra.

Esse processo envolve mapeamento de jazidas, estudos de viabilidade e, em muitos casos, anos de espera. Segundo o Atlas da Violência, menos de 30% dos poços classificados como “promissores” chegam à fase de extração comercial.

“O que a gente queria era água, né? Se for petróleo, que resolvam logo para a gente entender o futuro da fazenda”, lamentou o filho Saullo Moreira.

Sede persiste: seca histórica e dependência do Castanhão

Escassez hídrica não é novidade no Vale do Jaguaribe. Entre 2012 e 2014, a região enfrentou uma das maiores estiagens do século XXI, levando o Ministério da Integração a decretar situação de emergência em vários municípios, incluindo Tabuleiro do Norte.

Com 32,1 mil habitantes e 29º melhor IDH do Ceará, o município é abastecido pelo açude Castanhão, mas muitos distritos rurais, como Sítio Santo Estêvão, não contam com rede hídrica. Dados do IBGE indicam que 39% das propriedades locais recorrem a carro-pipa na seca.

Para cavar os dois poços que acabaram revelando o fluido escuro, Sidrônio contraiu empréstimo de R$ 15 mil. Agora, teme que novas perfurações contaminem o lençol freático caso haja vazamento de óleo.

O que você acha? Caso o petróleo seja confirmado, a exploração deve avançar mesmo com o risco ambiental? Para acompanhar outras notícias do interior cearense, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Google Imagens

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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