Gasto de R$ 2,5 mi leva Petrobras a reabrir usina em Quixadá
Quixadá/CE – Fechada desde 2016 e consumindo R$ 2,5 milhões anuais apenas para manutenção, a usina de biodiesel da Petrobras promete voltar a operar, reacendendo expectativas de emprego e renda no Sertão Central.
- Em resumo: estatal confirma estudos finais para reativar planta que já beneficiou 30 mil agricultores.
Por que o projeto desandou?
Inaugurada em 2008, a unidade dependia da mamona como matéria-prima. A produção local, porém, era insuficiente, forçando a compra do grão em outras regiões e pressionando custos. Relatórios da Agência Nacional do Petróleo mostraram que parte do biodiesel fabricado não atingia o padrão exigido, corroendo a viabilidade comercial.
O reflexo foi imediato: receitas em queda, 200 empregos diretos perdidos e um rombo logístico que acabou levando ao anúncio de encerramento oito anos após a inauguração.
“A retomada encontra-se em fase preliminar de estudos técnicos”, informou a Petrobras, citando “maior oferta de matéria-prima na região”.
O que mudou para a retomada agora?
Desde 2023, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel – criado em 2004 e que hoje responde por 12% do diesel vendido no país – elevou metas de mistura para 15% até 2026. A decisão pressiona o parque industrial a ampliar capacidade, abrindo brecha para Quixadá voltar ao mapa energético.
Além disso, dados do IBGE indicam aumento de 18% no cultivo de oleaginosas no Ceará nos últimos três anos, incluindo mamona e soja, o que pode estabilizar a oferta e reduzir custos logísticos que afundaram o projeto na primeira tentativa.

Em 2025, a Federação Única dos Petroleiros liderou campanha para reabrir a planta, reforçando o caráter social: mais de 30 mil agricultores familiares, piscicultores e catadores dependiam da cadeia de biodiesel para complementar renda.
Se o cronograma técnico avançar, a reativação deve ocorrer em fases, com expectativa de recuperar gradualmente os 200 postos diretos e, indiretamente, injetar até R$ 40 milhões por ano na economia local, segundo estimativa de consultores do setor.
O que você acha? A reabertura pode, de fato, transformar a economia do Sertão Central ou será mais um projeto caro? Para mais análises regionais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
