Girão chama apoio a Bachelet na ONU de manobra ideológica
BRASÍLIA – Em discurso no Plenário nesta terça-feira (17), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) denunciou o que classificou como “uso ideológico” do Itamaraty pelo governo Lula para impulsionar a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao posto de secretária-geral da ONU, previsto para 2026. Segundo ele, a iniciativa “não representa o Estado brasileiro”, mas sim “um projeto de poder”.
- Em resumo: Girão vê aparelhamento da ONU e cita omissões de Bachelet em crises de direitos humanos.
Por que o cargo é tão disputado?
O secretário-geral comanda missões de paz, articula ajuda humanitária e dá o tom de debates globais. A escolha obedece ao artigo 97 da Carta da ONU e exige anuência dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. O processo, iniciado um ano antes do mandato, costuma envolver intensa diplomacia de bastidores — entenda o rito oficial.
Para Girão, ao abraçar publicamente Bachelet, o Planalto “queima etapas” e “transforma a diplomacia brasileira em extensão partidária”.
“Esta não é uma indicação do Estado brasileiro, é pessoal e ideológica; é aparelhar a maior organização multilateral do mundo”, disparou o senador cearense.
Críticas ao passado de Bachelet no alto escalão da ONU
Entre 2018 e 2022, Bachelet liderou o Alto Comissariado para Direitos Humanos. Girão alega que, nesse período, houve “omissão” frente a denúncias na Nicarágua, Cuba e China e “seletividade” na defesa de liberdades individuais. Parlamentares chilenos também já emitiram carta pública reprovando a candidatura.

O senador acrescentou que a Organização das Nações Unidas vive “crise de legitimidade”, pano de fundo para a mobilização de senadores brasileiros que assinaram carta contrária ao nome da chilena. Ele teme que “agendas sensíveis” avancem “sem debate democrático” e “em desacordo com valores básicos como a proteção à vida e o papel da família”.
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