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sexta-feira, abril 10, 2026

Governo mira R$17 bi do FGTS para dívidas e põe habitação em risco

Governo mira R$17 bi do FGTS para dívidas e põe habitação em risco

Brasília/DF – Anunciada em 10 de abril de 2026, a possibilidade de liberar até R$ 17 bilhões do FGTS para quitação de dívidas familiares acendeu o alerta de economistas sobre o impacto na habitação popular e na reserva de emergência do trabalhador.

  • Em resumo: Ministério do Trabalho quer usar até R$ 17 bi do FGTS para socorrer cerca de 10 milhões de endividados.

Como funcionaria a nova liberação?

Segundo a pasta, parte do saldo dos trabalhadores seria destinada a acordos com descontos de até 80% em juros rotativos de cartão e outros créditos caros. A ideia é reduzir a inadimplência recorde de 29,6% apontada pela CNC e aliviar a renda de curto prazo.

Para especialistas, o plano pode trocar dívidas de 436% ao ano, típicas do rotativo, por uma fonte de recursos que rende apenas 3% mais TR — índice bem abaixo da inflação. Dados recentes do Banco Central mostram que, mesmo com a Selic em queda, o crédito caro continua pressionando os orçamentos familiares.

“É um cobertor curto: cobre de um lado e descobre do outro”, alerta o economista Rafael Chaves, da FGV/EPGE.

Risco para habitação e para o próprio trabalhador

O FGTS financia projetos como o Minha Casa, Minha Vida, saneamento e infraestrutura; só em 2025, o ativo totalizou R$ 810 bilhões. Se o governo drenar R$ 17 bilhões, menos dinheiro pode chegar às linhas de crédito imobiliário subsidiado, afetando diretamente o déficit habitacional estimado em 5,8 milhões de unidades.

Mario Avelino, do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador, classifica a iniciativa como “benefício aos bancos, não ao empregado”, lembrando que o fundo já sofre com saídas do saque-aniversário. Hoje são 47,2 milhões de contas ativas; a cada retirada extra, diminui a rede de proteção em caso de demissão.

Economistas do Corecon-SP reconhecem um alívio imediato ao fluxo de caixa das famílias, mas veem efeito limitado sobre o PIB. Sem educação financeira, há risco de retorno rápido ao endividamento, reforçando o ciclo de crédito caro e retirada de poupança futura.

E você? Apoia usar a própria poupança do trabalhador para pagar dívidas de curto prazo? Para mais análises sobre economia e finanças, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / g1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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