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sexta-feira, abril 10, 2026

Governo Trump ameaça tarifaço contra Brasil após críticas ao Pix

Governo Trump ameaça tarifaço contra Brasil após críticas ao Pix

Washington, EUA – Um novo relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) voltou a classificar o Pix como barreira comercial, acendendo o sinal de alerta para possíveis retaliações que podem atingir as exportações brasileiras “em cheio”.

  • Em resumo: Se a investigação avançar, tarifas extras sobre produtos brasileiros podem entrar na mira já em 2026.

As cartas que Trump tem na manga

O USTR baseia o inquérito na Seção 301 do Trade Act de 1974, dispositivo que permite suspender benefícios, impor cotas ou criar novas alíquotas de importação contra países considerados “desleais”. Segundo especialistas, o leque vai desde restringir aço e agronegócio até retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP). Na última década, essas medidas custaram bilhões a parceiros comerciais de Washington, de acordo com dados do Banco Central.

Camila Villard Duran, pesquisadora em direito econômico, lembra que a ofensiva é mais “pressão diplomática” do que ingerência direta sobre a infraestrutura de pagamentos. Ainda assim, o impacto pode chegar às cadeias de produção brasileiras, que hoje enviam quase US$ 100 bilhões por ano aos portos norte-americanos.

“Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix”, reagiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a publicação do relatório.

Por que o Pix incomoda tanto Washington

Além de eclipsar taxas de cartões, o Pix movimentou R$ 16,2 trilhões em 2025, segundo o BCB – volume que equivale a aproximadamente 1,7 vezes o PIB brasileiro. Para Visa, Mastercard e big techs financeiras baseadas nos EUA, a expansão de um sistema estatal gratuito significa perda de market share e de dados estratégicos.

O modelo brasileiro inspira iniciativas semelhantes na Colômbia, Índia e Tailândia, fenômeno que o USTR também aponta como “preferência nacional prejudicial”. Na prática, o debate vai além de meios de pagamento: trata-se de soberania sobre dados financeiros, tema que ganha peso numa economia cada vez mais digitalizada.

O que você acha? O Brasil deve ceder às pressões ou defender o Pix a qualquer custo? Para acompanhar outras análises sobre o cenário econômico, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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