Guerra barra 25% das exportações e pressiona frango no Brasil
Piracicaba/SP – Um estudo do Cepea/USP acende o alerta para o setor avícola nacional: as tensões entre Estados Unidos e Irã podem travar até 25% dos embarques brasileiros de carne de frango, redirecionando o excedente ao mercado interno e afetando preços e margens já comprimidas.
- Em resumo: Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita respondem por 877 mil t; conflito ameaça esse fluxo.
Entenda por que o Oriente Médio é vital para o frango brasileiro
Segundo dados históricos do Ministério da Agricultura, o Oriente Médio figura há mais de uma década entre os três principais destinos da proteína nacional, sobretudo na forma de frango inteiro halal. Só em 2025, a região absorveu um em cada quatro quilos exportados pelo Brasil.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz anunciado em 2 de março, rotas marítimas que ligam os portos de Santos e Itajaí aos importadores árabes ficaram sob risco logístico e securitário, encarecendo fretes e seguros.
“Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil”, destaca o boletim do Cepea.
Do navio ao açougue: impacto direto no seu bolso
Caso a carne “empacada” nos portos volte ao mercado interno, o consumidor pode até ver promoções pontuais, mas analistas lembram que o custo do milho e do farelo de soja – que já subiram 1,8% e 0,9% em fevereiro, medidos pelo IGP-DI – tende a anular esse alívio em poucas semanas.
Além do ajuste de embalagens e rótulos, empresas precisarão renegociar certificados halal, adequar linhas de produção e disputar espaço com suíno e bovino no varejo. Historicamente, cada 10% de excedente no estoque interno derruba o preço ao produtor em 4% e corrige o varejo com atraso de até 30 dias, segundo série do IBGE.

O futuro dos contratos de trabalho em regiões avícolas, como Oeste Catarinense e Noroeste Paranaense, também preocupa: de acordo com o Caged, o segmento gera 430 mil empregos diretos e indiretos, altamente sensíveis a oscilações de câmbio e demanda externa.
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