Guerra no Irã eleva petróleo, mas gasolina no Brasil sobe 5%
BRASÍLIA (DF) – Enquanto o barril de petróleo dispara com o conflito Irã-EUA-Israel, o consumidor brasileiro sente um impacto bem menor na bomba: a gasolina subiu apenas 5% em março, amparada pela produção recorde de etanol que chega às usinas na próxima semana.
- Em resumo: Frota flex e mistura obrigatória de 30% de etanol seguram o preço que, nos EUA, já avançou 30%.
Como o etanol bloqueia choques de petróleo
Desde 1975, o país aposta no biocombustível de cana-de-açúcar. Hoje, sete em cada dez carros vendidos são bicombustíveis, segundo dados do IBGE. Isso permite trocar o derivado fóssil pela alternativa renovável quase instantaneamente, reduzindo a dependência de importações e a volatilidade no varejo.
Para este ano, a safra deve entregar 30 bilhões de litros de etanol – volume idêntico a todo o montante de gasolina que o Brasil precisou importar em 2025, segundo a Empresa de Pesquisa Energética.
“O Brasil está muito mais bem preparado que a maioria dos países porque tem uma alternativa viável”, destaca Evandro Gussi, presidente da UNICA.
O calcanhar de Aquiles: o diesel ainda pressiona
Ao contrário da gasolina, o diesel contém apenas 14% de biodiesel. Como boa parte do combustível refinado vem de fora, seu valor disparou mais de 20% no mês, levando o governo a cogitar subsídios provisórios às importações até maio.

Especialistas projetam que a mistura possa alcançar 30% apenas em 2030, desde que pesquisa e escala acompanhem a demanda. Até lá, o frete rodoviário continua vulnerável, com reflexo imediato nos preços de alimentos e na inflação geral.
O que você acha? O aumento da mistura de biodiesel deveria ser acelerado? Para acompanhar mais análises sobre energia e finanças, visite nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / G1