Guerra no Irã faz margem do diesel S-500 disparar 71% nos postos
Brasília – Um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) indica que distribuidoras e postos brasileiros ampliaram em média 30% suas margens de lucro desde 28 de fevereiro, quando a guerra no Irã começou a pressionar o mercado de petróleo. No diesel S-500, usado por frotas mais antigas, o salto chega a alarmantes 71,6%.
- Em resumo: Mesmo com isenção de impostos e fiscalização, lucro sobre o diesel cresce quase três vezes mais rápido que a inflação.
Por que o preço sobe mesmo com incentivos fiscais?
Desde março, o governo zerou tributos federais e criou subsídios para conter a escalada dos combustíveis. Ainda assim, segundo o IBGE, o IPCA acumula alta de 11% no combustível em 12 meses, bem abaixo do ganho de margem registrado por revendedores.
Especialistas apontam dois fatores: volatilidade internacional, que mascara reajustes ao consumidor, e a perda de poder de estatais após a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás.
“Essa tendência de alta, junto com a volatilidade dos preços e a perda de referência para os consumidores, permitiu que as margens crescessem sem serem percebidas”, avaliou o economista Eric Gil Dantas, do Ibeps.
Impacto no transporte, no campo e na conta de luz
Com o barril acima de US$ 100, o diesel encarece fretes, pressiona a cesta básica e eleva o custo de operação de máquinas agrícolas. Termelétricas a óleo, acionadas em períodos de seca, também ficam mais caras, o que pode se refletir na tarifa de energia.

Para o agronegócio, o golpe é duplo: além do combustível, o Irã é crucial na cadeia de fertilizantes. Dados do MDIC mostram que 93,5% das importações brasileiras do país persa são adubos químicos, insumo que já vinha em escalada de preços desde 2022.
O que você acha? É papel do governo impor limite às margens de lucro ou o mercado deve se autorregular? Para mais análises, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
