Guerra no Irã faz petróleo saltar e força Ásia a racionar
Teerã, Irã – A ofensiva israelense que atingiu uma refinaria iraniana em 9 de março disparou o preço do barril para patamares acima de US$ 140, reacendendo temores de desabastecimento global e empurrando nações da Ásia e da Europa a acionar planos de emergência que não eram vistos desde a crise do Golfo de 1990.
- Em resumo: Coreia do Sul, Japão, Vietnã, Indonésia, China e Bangladesh já limitam preços ou consumo para evitar colapso energético.
Por que o choque atual preocupa mais que 2008?
A rota por onde passa 30% do petróleo comercializado no planeta, o Estreito de Ormuz, está na linha de fogo. Segundo a série histórica de inflação do IBGE, combustíveis respondem por até um terço do índice de preços em economias emergentes, o que amplia o efeito dominó sobre transportes e alimentos.
Na última vez que o barril tocou US$ 147, em julho de 2008, a demanda norte-americana desacelerou e aliviou o mercado. Agora, a China representa 16% do consumo mundial e não dá sinais de recuo, obrigando governos a recorrer a reservas estratégicas antes mesmo de a oferta encolher de fato.
“Os preços do petróleo dispararam, enquanto as bolsas de valores caíram diante do temor de que a escalada da guerra … prejudique indústrias ao redor do mundo.”
Medidas drásticas entram em cena
A Coreia do Sul fixará um teto interno pela primeira vez em quase três décadas e prepara fundo de 100 trilhões de won (US$ 67 bi) para estabilizar o mercado. No Japão, o depósito nacional foi instruído a liberar reservas, passo raramente utilizado fora de terremotos ou tsunamis.
O Vietnã zera tarifas de importação até abril, enquanto a Indonésia amplia subsídios a combustíveis – 381,3 trilhões de rúpias – e pode acelerar a mistura B50 de biodiesel de palma para reduzir a dependência do diesel convencional.

Já a China ordenou às refinarias que suspendam novos contratos de exportação, priorizando o abastecimento doméstico. Em Bangladesh, universidades fecham mais cedo para economizar eletricidade e as vendas de gasolina sofrem limites diários, lembrando os racionamentos da década de 1970.
O que você acha? O Brasil deveria adotar um gatilho de contenção de preços parecido caso o barril permaneça acima de US$ 140? Para mais análises sobre energia e mercado, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
