Guerra no Oriente freia novos cortes após Selic a 14,75%
Brasília (DF) – Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (18) a Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano, mas retirou o sinal de novos cortes, citando o conflito no Oriente Médio como risco imediato para a inflação brasileira.
- Em resumo: juros caem pela 1ª vez desde maio de 2024, porém Copom pausa rota de alívio por causa da alta do petróleo.
Por que a guerra trava a queda dos juros?
O comunicado do Copom mencionou quatro vezes o conflito, destacando impactos na oferta de petróleo e na cadeia de suprimentos. Segundo dados do Banco Central, cada aumento de US$ 10 no barril pode adicionar até 0,4 ponto percentual à inflação anual brasileira.
Com o barril superando US$ 100, a preocupação do BC é dupla: encarecimento imediato dos combustíveis e repasse generalizado de custos, o que dificulta levar o IPCA à meta de 3,3% até 2027.
“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, alertou o Copom.
Selic: de recordes históricos ao aperto atual
A taxa básica já esteve em 45% nos anos 1990 e atingiu a mínima de 2% em 2021. O patamar de 15% mantido desde dezembro de 2024 freou o crédito e esfriou a atividade, resultado que permitiu o primeiro corte depois de 22 meses.
Analistas da Ciano e Blue3 veem espaço para reduções graduais, mas só se o choque geopolítico ceder. A cada 1 ponto percentual na Selic, o custo da dívida pública sobe cerca de R$ 31 bilhões por ano, segundo o Tesouro; por outro lado, juros altos ajudam a ancorar expectativas de preços.

Se a tensão diminuir, o mercado projeta Selic perto de 12,5% em 2025. Caso contrário, o ciclo pode estagnar – ou até ser revertido – para evitar novo surto inflacionário.
E você? Acredita que o BC deve manter a cautela ou acelerar os cortes mesmo com a guerra? Para mais análises econômicas, acesse nossa editoria de Finanças.
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