- Só 3 no Sertão Central: Marcílio Coelho entra no Top 40 prefeitos CE
- Petróleo no quintal? Agricultor cearense implora apenas por água
- MPCE caça empresário por desvio de R$156 mil em Pacoti
- Ceará instala conselho indígena inédito com 40 representantes
- Polícia Civil captura dupla em 24h após furto de SW4 no Cocó
Guerra no Oriente Médio encarece fertilizante em 12%
Brasília – No quinto dia do conflito que opõe Estados Unidos e Israel ao Irã, economistas alertam para um efeito em cascata que deve alcançar as prateleiras brasileiras: fertilizantes já subiram até 12% e o custo extra pode chegar ao seu prato nos próximos meses.
- Em resumo: Fechamento do Estreito de Ormuz eleva frete, diesel e fertilizante, pressionando toda a cadeia de alimentos.
Fertilizantes disparam: por que isso importa?
O Brasil importa mais de 85% dos adubos que usa. Parte expressiva vem do Oriente Médio, quarto maior fornecedor de insumos químicos para o campo. Após o início das hostilidades, produtores locais suspenderam vendas e reduziram a produção, movimento que fez as cotações saltarem 10% a 12% em apenas 24 h, segundo a consultoria StoneX. Já o contrato futuro da ureia subiu US$ 39 em 48 h.
Para agricultores que planejam a safra do segundo semestre, a conta aperta. Segundo dados do Ministério da Agricultura, fertilizantes representam até 30% do custo total de uma lavoura de soja. Qualquer aumento nessa linha impacta diretamente o valor final do alimento.
“O impacto nos preços foi instantâneo e severo, com altas de cerca de 10% a 12% em apenas um dia”, afirma Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil.
Frete, diesel e exportações em risco
O Irã controla o Estreito de Ormuz, rota por onde passa um quinto do petróleo global. O seu fechamento deslocou navios brasileiros para rotas mais longas, encarecendo o frete e o seguro marítimo. O diesel, derivado do petróleo, tende a seguir a mesma curva, elevando o gasto com máquinas no campo e o transporte de grãos e carnes.
O efeito é global: mesmo quem não compra do Oriente Médio pagará mais, porque o mercado é interligado. A Associação Brasileira de Proteína Animal já relata contêineres de frango redirecionados, com cobrança de “taxa de guerra” pelos armadores. A cada dia de atraso, cresce o custo de refrigeração, indispensável para manter a carne a -18 °C.
Embora o dólar mais baixo ajude a segurar parte da pressão, o cenário é de alerta. De acordo com o IBGE, alimentos e bebidas responderam por 34% do IPCA de 2025; nova alta nos insumos pode reacender a inflação exatamente no item mais sensível ao consumidor.
O que você acha? O Brasil deveria acelerar a produção interna de fertilizantes para reduzir a dependência externa? Para mais análises sobre economia e seu bolso, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
