Guillermo del Toro critica cinismo e revela fascínio pela morte
Guillermo del Toro critica cinismo e revela fascínio pela morte – O cineasta mexicano declarou, em entrevista recente, que se considera “um grande fã da morte” e que o cinismo dominante na cultura atual compromete a forma como o público enxerga o fantástico no cinema.
Segundo o diretor, encarar a morte como parte essencial da narrativa humana amplia a empatia e aprofunda personagens, enquanto o sarcasmo constante distancia as pessoas de reflexões mais profundas.
Reflexão sobre o estado do cinema
Del Toro afirmou que o excesso de ironia nos roteiros “blinda” o espectador de emoções genuínas, dificultando a conexão com histórias de horror ou fantasia. Em suas palavras, a indústria “se tornou cética de forma preguiçosa”.
O mexicano ainda citou que clássicos do gênero, de Mary Shelley a Alfred Hitchcock, tratavam a morte com seriedade simbólica, algo que se perde quando a narrativa é filtrada por puro deboche. Para contextualizar, o perfil do diretor na British Film Institute destaca que a fusão entre magia e mortalidade é marca registrada de sua filmografia.
Novo projeto reforça temática sombria
Atualmente, Del Toro prepara uma versão de “Frankenstein” para a Netflix. A produção seguirá a linha de “A Forma da Água”, vencedora de quatro Oscars em 2018, priorizando o lado trágico do monstro – metáfora para a finitude e para o medo social do desconhecido.
Dados do Observatório do Cinema indicam que filmes de terror e fantasia cresceram 27% em bilheteria global nos últimos cinco anos, sinalizando que o público segue aberto a narrativas densas, desde que sinceras em relação à mortalidade.

Para completar, o diretor aconselhou jovens roteiristas a “não temer o destino final de seus personagens”, pois “a morte pode ser o início de discussões sobre vida, esperança e legado”.
No encerramento da entrevista, Del Toro reforçou sua crença de que o horror tem função social de purgar medos coletivos. “Não há catarse sem risco”, afirmou.
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Crédito da imagem: Divulgação
