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sábado, março 28, 2026

Irã ameaça fechar Bab el-Mandeb e travar 12% do petróleo

Irã ameaça fechar Bab el-Mandeb e travar 12% do petróleo

Teerã, Irã — O Estreito de Bab el-Mandeb, corredor que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, voltou a rondar o radar dos mercados de energia depois que a Guarda Revolucionária sinalizou que os rebeldes houthis estão “prontos” para fechar a passagem caso a pressão militar dos EUA e de Israel continue. A mesma estratégia já elevou o Brent de US$ 70 para mais de US$ 100 após o bloqueio de Ormuz, e especialistas ouvidos em transmissão da Band alertam que um segundo gargalo pode levar a novo salto de preços.

  • Em resumo: até 4,5 milhões de barris diários — 12% do comércio marítimo de petróleo — circulam pela rota ameaçada.

Por que Bab el-Mandeb virou alvo estratégico

Com apenas 36 km no ponto mais estreito, Bab el-Mandeb funciona como porta de entrada do Canal de Suez. Segundo dados da Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA), mais de um quarto do comércio marítimo global passa pelo corredor do Mar Vermelho, incluindo carregamentos de gás natural liquefeito e parte significativa do petróleo saudita bombeado até o porto de Yanbu.

Após o fechamento de Ormuz, Riad e Moscou redirecionaram parte das exportações pela rota iemenita para manter contratos com a Ásia e a Europa. Um bloqueio simultâneo dos dois estreitos forçaria navios-tanques a contornar o Cabo da Boa Esperança, alongando viagens em até 10 mil km e elevando custos de frete em mais de 30%, conforme estimativas de consultorias navais britânicas.

“Fechar a rota é uma tarefa fácil para eles”, disse uma fonte militar iraniana à agência Tasnim.

Impacto imediato para preços e rotas comerciais

Em 2021, o encalhe do cargueiro Ever Given em Suez já custou ao comércio global US$ 9,6 bilhões por dia. Analistas lembram que, diferentemente daquele incidente, um bloqueio armado poderia se alongar por semanas. Para o Brasil, que importa diesel do Golfo Pérsico e fertilizantes russos via Mar Vermelho, a conta chegaria aos postos e ao agronegócio em poucas semanas.

Historicamente apelidado de “portão das lágrimas”, o estreito soma relatos de pirataria somali, acidentes e, desde 2023, mais de 100 ataques com drones e mísseis conduzidos pelos houthis. O Departamento de Transporte dos EUA já emitiu alerta aos navios comerciais, enquanto Londres e Paris reforçam patrulhas navais na região.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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