Júri impõe R$ 31 mi a Meta e Google por vício juvenil
LOS ANGELES, EUA – Um júri californiano decidiu que as plataformas de Meta e Google alimentaram o vício de uma adolescente e, por isso, devem pagar US$ 6 milhões em indenizações, cifra equivalente a R$ 31 milhões. O veredito, divulgado na última quarta-feira (25), lança uma luz vermelha sobre a responsabilidade das Big Techs na crise de saúde mental entre jovens.
- Em resumo: condenação cria precedente capaz de abrir milhares de ações semelhantes nos EUA e, possivelmente, no Brasil.
Por que este julgamento virou marco regulatório
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos que atribui ao design “viciante” de Instagram e YouTube o agravamento de depressão e pensamentos suicidas. Segundo pesquisa do Pew Research Center, 54 % dos adolescentes norte-americanos acessam as duas redes todos os dias, muitas vezes por mais de três horas contínuas.
Especialistas em direito digital avaliam que a sentença pavimenta o caminho para leis federais de proteção infantil, tema que já mobiliza pelo menos 20 estados norte-americanos com projetos que exigem verificação de idade e limitação de notificações.
“Discordamos respeitosamente do veredicto e estamos avaliando nossas opções legais”, declarou um porta-voz da Meta após a condenação.
Efeito dominó: o que pode chegar ao Brasil
Embora o Congresso dos EUA ainda não tenha aprovado norma nacional, a pressão sobre as plataformas cresce. No Brasil, projetos como o PL 2630/20 incorporam dispositivos de transparência de algoritmos — justamente o ponto criticado no caso californiano.

Dados do IBGE mostram que 92 % dos jovens brasileiros entre 10 e 17 anos estão online, cenário que preocupa pediatras: a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda no máximo 120 minutos diários em redes sociais para menores de 18 anos.
O que você acha? A responsabilização financeira é suficiente para mudar o comportamento das Big Techs? Para acompanhar outras coberturas internacionais, visite nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
