Justiça impõe 88 anos a grupo que matou torcedor a pauladas
Fortaleza/CE – Em decisão que ecoa entre as torcidas organizadas do país, o Tribunal de Justiça do Ceará condenou cinco homens a penas que somam 88 anos de prisão pela morte brutal de Ítalo Silva de Lima, espancado em março de 2023 quando seguia para a Arena Castelão.
- Em resumo: Penas variam de 11 a 27 anos; réus já deixam o plenário direto para o sistema prisional.
Como foi o ataque segundo o júri
O júri popular, iniciado na última terça-feira (7) e encerrado nesta quarta (8), reconstruiu cada detalhe do confronto entre torcedores de Ceará e Fortaleza no bairro Serrinha. Ítalo, de 29 anos, tentou fugir quando a briga começou, mas foi alcançado e agredido com pauladas, chutes e socos até não resistir.
De acordo com os autos, Arão Bouzgaib Varela Maia recebeu a maior pena: 27 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa. Outros quatro réus – John Patrick Vieira da Silva, Antônio Gomessom Martins da Silva, Lucas Araújo Barbosa e Lucas do Espírito Santos Costa – pegaram entre 11 e 24 anos. O julgamento de mais três acusados ficou para 17 de setembro.
“Todos os condenados iniciam o cumprimento imediato da sentença”, determinou a juíza ao proferir a decisão.
Violência nas torcidas: um problema que se repete
O Ceará não está sozinho nesse cenário. Levantamento do Atlas da Violência 2023 aponta que o país registrou, em média, uma morte por conflito de torcidas a cada dois meses na última década. Somente no Nordeste, houve 18 vítimas fatais desde 2015, metade delas no Ceará e em Pernambuco.
Especialistas em segurança ressaltam que crimes praticados em grupo, como o de Ítalo, recebem qualificadoras que aumentam a pena. A legislação também pune a corrupção de menores, usada pelo Ministério Público neste caso, quando adultos envolvem adolescentes em ações violentas.

Próximos capítulos: o que esperar
Até setembro, o Ministério Público deve reforçar a coleta de provas contra os três réus remanescentes. Se condenados, a pena total pode ultrapassar 120 anos, segundo promotores. Paralelamente, o Ceará Sporting Club e autoridades estaduais discutem novas barreiras de acesso e monitoramento em dias de clássico, medida que já reduziu em 35% as ocorrências em arenas do Sudeste.
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