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terça-feira, março 31, 2026

Larissa Luz dispara ‘Marchona’ e desafia racismo no Carnaval

Larissa Luz dispara ‘Marchona’ e desafia racismo no Carnaval

Salvador (BA) – Larissa Luz coloca a folia sob novos acordes ao lançar, na próxima sexta-feira (30/01), o single “Marchona”, faixa que revista as marchinhas clássicas para demolir estereótipos raciais e LGBT ainda presentes nos blocos de rua.

  • Em resumo: cantora baiana mistura frevo, brega-funk e samba-reggae para enterrar piadas preconceituosas de antigos carnavais.

Referências antigas, discurso novo

A canção faz um sample frontal da célebre “Cabeleira do Zezé” (1963), sucesso do Carnaval de 1964, mas troca o escárnio homofóbico por versos de acolhimento. “Deixa a cabeleira do Zezé e ele ser o que quiser”, canta Larissa antes do coro responder “Bicha”, agora em tom de celebração – não de insulto.

Produzida pela própria artista ao lado de Danilo Panda e Ícaro Motta, a faixa traz batida eletrônica, sopros de frevo e percussão afro-baiana que dialogam com a raiz carnavalesca da Bahia e, ao mesmo tempo, atualizam o repertório nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 56,1% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, recorte demográfico que ganha protagonismo na letra ao gritar: “O bonde vai se juntar / Preto, viado, sapatona”.

“Aqui na Marchona ninguém julga ninguém”, dispara Larissa Luz em coro, enfatizando que respeito cabe tanto no circuito Dodô quanto no asfalto de qualquer capital.

Impacto cultural e mercado da folia

Ao mexer num hino de 60 anos atrás, Larissa reabre debate já visto em outros gêneros: vale manter clássicos com teor ofensivo? Alguns blocos de rua de São Paulo e Rio, por exemplo, anunciaram revisões de repertório após denúncias de racismo em 2023. O movimento vai na esteira de uma indústria que faturou R$ 8,2 bilhões no último Carnaval, segundo levantamento da CNC.

Mais que denúncia, “Marchona” antecipa o próximo álbum da artista, previsto para março. O trabalho continuará de onde Larissa parou em “Trovão” (2019), disco que lhe rendeu indicação ao Grammy Latino. Especialistas do mercado apontam que singles mobilizados por pautas identitárias tendem a impulsionar o streaming: o Spotify registrou 22% de aumento em playlists de Carnaval com viés inclusivo em 2025.

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Crédito da imagem: Divulgação / Jordan Vilas

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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