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Larissa Luz dispara ‘Marchona’ e desafia racismo no Carnaval
Salvador (BA) – Larissa Luz coloca a folia sob novos acordes ao lançar, na próxima sexta-feira (30/01), o single “Marchona”, faixa que revista as marchinhas clássicas para demolir estereótipos raciais e LGBT ainda presentes nos blocos de rua.
- Em resumo: cantora baiana mistura frevo, brega-funk e samba-reggae para enterrar piadas preconceituosas de antigos carnavais.
Referências antigas, discurso novo
A canção faz um sample frontal da célebre “Cabeleira do Zezé” (1963), sucesso do Carnaval de 1964, mas troca o escárnio homofóbico por versos de acolhimento. “Deixa a cabeleira do Zezé e ele ser o que quiser”, canta Larissa antes do coro responder “Bicha”, agora em tom de celebração – não de insulto.
Produzida pela própria artista ao lado de Danilo Panda e Ícaro Motta, a faixa traz batida eletrônica, sopros de frevo e percussão afro-baiana que dialogam com a raiz carnavalesca da Bahia e, ao mesmo tempo, atualizam o repertório nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 56,1% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, recorte demográfico que ganha protagonismo na letra ao gritar: “O bonde vai se juntar / Preto, viado, sapatona”.
“Aqui na Marchona ninguém julga ninguém”, dispara Larissa Luz em coro, enfatizando que respeito cabe tanto no circuito Dodô quanto no asfalto de qualquer capital.
Impacto cultural e mercado da folia
Ao mexer num hino de 60 anos atrás, Larissa reabre debate já visto em outros gêneros: vale manter clássicos com teor ofensivo? Alguns blocos de rua de São Paulo e Rio, por exemplo, anunciaram revisões de repertório após denúncias de racismo em 2023. O movimento vai na esteira de uma indústria que faturou R$ 8,2 bilhões no último Carnaval, segundo levantamento da CNC.

Mais que denúncia, “Marchona” antecipa o próximo álbum da artista, previsto para março. O trabalho continuará de onde Larissa parou em “Trovão” (2019), disco que lhe rendeu indicação ao Grammy Latino. Especialistas do mercado apontam que singles mobilizados por pautas identitárias tendem a impulsionar o streaming: o Spotify registrou 22% de aumento em playlists de Carnaval com viés inclusivo em 2025.
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Crédito da imagem: Divulgação / Jordan Vilas
