20 C
Ceará
sábado, abril 4, 2026

Licença-paternidade de 20 dias pode frear demissão de mães

Licença-paternidade de 20 dias pode frear demissão de mães

BRASÍLIA – A lei que eleva gradualmente a licença-paternidade brasileira para até 20 dias, sancionada recentemente, promete mexer não só na rotina das famílias, mas também nos cálculos de contratação e promoção dentro das empresas.

  • Em resumo: ao dividir melhor o tempo de cuidado, especialistas preveem menos demissões e estagnação de carreira para mulheres após a maternidade.

Por que 20 dias fazem diferença?

Hoje, o afastamento de apenas cinco dias para os pais praticamente obriga elas a assumir sozinhas a criança no início da vida — um fator que pesa nos processos seletivos. A partir de 2029, serão 20 dias pagos pela Previdência, válidos para nascimento, adoção ou guarda. Segundo um levantamento do IBGE, mulheres dedicam o dobro do tempo dos homens a tarefas domésticas, o que impacta diretamente sua permanência no emprego.

Quando o cuidado passa a ser compartilhado, o “risco” de ausência deixa de recair exclusivamente sobre a mãe, explica Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group.

“A ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante porque começa a endereçar a origem do viés no mercado de trabalho: a distribuição do cuidado”, afirma a especialista.

Impacto no bolso das empresas e no ranking global

Com o custo do benefício bancado pelo INSS, desaparece o argumento de que contratar homens sai “mais barato”. Países que adotaram licenças equilibradas, como Suécia e Islândia, viram a diferença de salário e ocupação em cargos de liderança encolher nos anos seguintes.

Dados do Banco Mundial mostram que 114 nações já oferecem pelo menos duas semanas de licença remunerada aos pais; a Suécia concede até 240 dias exclusivos ou intransferíveis para cada responsável. Ao saltar de cinco para 20 dias, o Brasil sobe cerca de 60 posições em rankings internacionais, mas ainda fica longe dos líderes europeus.

Outra novidade é a estabilidade de emprego: o pai não pode ser dispensado durante o afastamento nem nos 30 dias posteriores, proteção já garantida às mães. A lei também prevê equiparação à licença-maternidade — até 180 dias — quando a mulher falece ou não pode cuidar do bebê.

O que você acha? A divisão igualitária do cuidado pode mesmo mudar a carreira das mulheres? Compartilhe sua opinião e, para mais análises sobre mercado de trabalho, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Pexels

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
Últimas Notícias
Saiba Mais

Destaques de Agora