Lula zera imposto do QAV e libera R$ 9 bi às companhias
Lula zera imposto do QAV e libera R$ 9 bi às companhias
Brasília – Em 6 de abril de 2026, o governo federal eliminou PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, concedendo economia de R$ 0,07 por litro às empresas aéreas e abrindo duas linhas de crédito que somam R$ 9 bilhões para o setor.
- Em resumo: alívio tributário imediato no combustível coincide com crédito bilionário e adiamento de taxas de navegação até dezembro.
Por que a isenção pode demorar a aparecer na sua passagem
O combustível responde por até 45% dos custos das companhias brasileiras, bem acima da média global de 27%, e qualquer centavo faz diferença na planilha. Ainda assim, especialistas lembram que o corte de R$ 0,07 cobre apenas parte da alta de 64% acumulada no preço do QAV desde o início da guerra no Irã. Dados do Banco Central indicam que o dólar, outro componente-chave da fórmula, segue pressionado, o que limita o repasse de reduções ao consumidor.
Além disso, rotas mais longas para evitar áreas de conflito encarecem a operação, e o mercado mantém oferta reduzida após a pandemia — combinação que sustenta tarifas elevadas.
“Temos uma tempestade perfeita: câmbio volátil, petróleo em patamar alto e demanda reprimida”, resume Dany Oliveira, ex-diretor da IATA no Brasil.
Crédito bilionário e SAF: janela para remodelar o setor
As duas linhas de crédito anunciadas miram capital de giro e renovação de frota. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas vê no pacote uma ponte para atravessar 2026 sem novos reajustes abruptos. Para o consumidor, o impacto mais visível tende a ser estabilidade — e não queda imediata — no preço dos bilhetes.
A longo prazo, o governo aposta na Lei do Combustível do Futuro, que obriga as companhias a usar uma fração de Sustainable Aviation Fuel (SAF) a partir de 2027. Produzido de resíduos como óleo de cozinha e biomassa de cana, o SAF ainda custa de 3 a 5 vezes mais que o querosene tradicional, mas a alta do Brent reduz essa diferença. Com a maior reserva de biomassa do planeta e experiência prévia com etanol, o Brasil pode se tornar, nas palavras de Oliveira, a “Arábia Saudita do SAF”.
Enquanto o novo combustível não ganha escala, viajantes que planejam férias devem monitorar promoções e considerar comprar bilhetes com antecedência. O planejador financeiro Diego Endrigo lembra que uma eventual redução de oferta — típica em cenários de guerra — pode pressionar os preços de última hora.
E você? Acredita que o corte de impostos vai baratear as passagens ou é só fôlego para as empresas? Para acompanhar outras análises sobre economia e consumo, visite nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação
