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segunda-feira, março 16, 2026

Luto da família Gil ecoa em álbum dos Gilsons e surpreende pela maturidade

Luto da família Gil ecoa em álbum dos Gilsons e surpreende pela maturidade

Rio de Janeiro (RJ) – Lançado na tarde de 3 de março, o segundo álbum do trio Gilsons, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”, transforma a dor da perda de Preta Gil em um manifesto de leveza e resistência que já ressoa entre fãs de MPB e do pop alternativo.

  • Em resumo: Trio mistura ijexá, beats eletrônicos e participações de peso para celebrar a vida após o luto.

Mudança de fase: do luto à luz

A audição revela um salto criativo: violões que remetem a Gilberto Gil abrem “Visão”, enquanto tambores e programações digitais dividem espaço em “Bem me quer”. A coexistência de ancestralidade e tecnologia aproxima o grupo de ouvintes jovens; segundo a PNAD Contínua do IBGE, 93% dos brasileiros de 18 a 24 anos consomem música on-line, terreno onde o trio quer avançar.

As colaborações também ampliam alcance: Caetano, Moreno e Tom Veloso unem vozes aos netos de Gil, enquanto Arnaldo Antunes injeta poesia em “Minha flor” e “Vai chover”. Já “Beijo na boca”, turbinada pelo produtor Iuri Rio Branco, coloca o grupo na pista sem perder elegância.

“A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese”, resume o produtor José Gil.

Por que o disco importa além da família Gil

Entre o debute “Pra gente acordar” (2022) e o lançamento atual, a morte de Preta Gil alterou o eixo emocional da banda. Ainda assim, ao invés de mergulhar em melancolia, os Gilsons optam por versos de aceitação: “Se a vida pede, eu vou tocando”, declamam na parceria com a cantora gambiana Sona Jobarteh que encerra o álbum.

O resultado é um trabalho coeso, com 10 faixas, que reforça a renovação da MPB em meio ao domínio do pop de consumo rápido. Especialistas de mercado já apontam que projetos autorais com narrativa forte tendem a ganhar espaço em playlists editoriais, favorecendo artistas que, como o trio, investem em identidade sonora.

O que você acha? A fusão de tradição e beats eletrônicos pode recolocar a MPB no topo das paradas? Para mais análises do mundo pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Marina Zabenzi

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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