Marina Lima lança álbum de luto e rebate crítica 'pior'

Marina Lima – Em entrevista ao podcast “g1 Ouviu”, publicada em 17 de abril, a cantora revelou que o recém-lançado álbum “Ópera Grunkie” nasceu como despedida ao irmão e letrista Antônio Cícero, morto em 2024, e aproveitou para responder à crítica da Folha de S.Paulo que classificou o projeto como o pior de sua carreira.

  • Em resumo: Disco foi escrito em luto, contestado pela imprensa e virou manifesto sobre liberdade feminina.

Despedida transformada em música

Marina contou que cada faixa do primeiro ato de “Ópera Grunkie” funciona como capítulo de uma carta final ao irmão. A artista sublinhou que não poderia “pular” essa etapa de sua trajetória, pois precisava eternizar o vínculo familiar em canção. Segundo levantamento da Variety, apenas 12,6% das grandes produções fonográficas de 2023 foram assinadas por mulheres, o que reforça a raridade de um disco autoral feminino com tamanha carga pessoal.

O repertório, descrito pela própria como “teatral”, combina guitarras de rock, arranjos eletrônicos e letras que falam de perda, saudade e reinvenção. Mesmo assim, parte da crítica comparou o trabalho a sucessos dos anos 1980, como “Fullgás”.

“Eu precisei fazer esse disco para dizer o quanto o amava. O mundo mudou; eu também.” – Marina Lima

Machismo, Anitta e o debate sobre gerações

Ao rebater o rótulo de “pior disco”, Marina alegou que o juízo seria diferente se o álbum fosse de um homem. Ela ainda analisou letras de ícones pop atuais, citando Taylor Swift como “adolescente”, mas elogiou o impacto corporal de Anitta: “Ela liberou minha bunda”, brincou.

A fala ecoa dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que mostram como críticas desproporcionais a artistas femininas fazem parte de um ciclo de violência simbólica contra mulheres públicas. A cantora defende que a arte feminina seja analisada pelo presente, não pelo passado remoto.

Além de memória e gênero, Marina inseriu no debate seu receio de “velhice idiota”, conselho recebido da amiga Fernanda Montenegro, e celebrou mais de 40 anos de cumplicidade com a atriz.

O que você acha? A crítica musical ainda julga mulheres com régua diferente? Para mais conteúdos de cultura pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina

Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.