Matador que arrepia impulsiona ‘O Agente Secreto’ ao Oscar
RECIFE (PE) – A corrida de O Agente Secreto rumo ao Oscar ganhou fôlego extra graças a um “matador” de olhar gélido descoberto fora dos grandes holofotes. Na recém-criada categoria de Melhor Direção de Elenco, o brasileiro Gabriel Domingues virou o centro das atenções por vasculhar 18 estados e montar um mosaico de 65 atores – combinação que Hollywood classificou como “hipnotizante”.
- Em resumo: elenco reúne novatos, veteranos e um matador cuja simples passada de cena causa arrepios.
Como um teste de vídeo mudou o destino do delegado e do matador
Em meio às audições online, Domingues se deparou com o cearense Robério Diógenes. O sotaque e a leveza do ator convenceram a produção a transformar o delegado Euclides – escrito como pernambucano – em conterrâneo de Robério. A mesma ousadia marcou a escolha de Caoni Venâncio: sem físico de brutamontes, ele apresentou no teste um andar quase silencioso, “de predador”, e ganhou o papel de Vilmar, o assassino que dá frio na espinha.
O processo de seleção foi semelhante ao trabalho de um olheiro no futebol, explica Domingues, que cruzou palcos de rua, grupos de teatro universitário e perfis de redes sociais. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), mais de 2 mil profissionais participaram de processos de casting em longas brasileiros apenas em 2025, reflexo do aquecimento do setor.
“Se tivesse Oscar de melhor andar eu ganhava”, brinca Caoni Venâncio, lembrando que fora de cena é “calmo e gentil”.
Diversidade que confunde Hollywood e fortalece o Brasil na disputa
Nos eventos pré-Oscar, produtores americanos se declararam “zonzos” com a variedade de rostos do filme. A reação não surpreende: a Academia premiará direção de elenco pela primeira vez em 24 anos, e críticos apontam O Agente Secreto como concorrente real – junto às indicações de Melhor Filme, Filme Internacional e Ator para Wagner Moura.

Desde Central do Brasil (1999), o Brasil não figura entre os finalistas a Melhor Filme Internacional, e só dois longas nacionais concorreram a categorias principais nesta década. A visibilidade de Domingues, portanto, vai além do tapete vermelho: coloca em discussão a representatividade regional e a aposta em talentos fora do eixo Rio-São Paulo.
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Crédito da imagem: Divulgação / Fantástico
