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quarta-feira, março 11, 2026

Médium convence sogra a doar R$1,4 mi e vira alvo da polícia

Médium convence sogra a doar R$1,4 mi e vira alvo da polícia

Fortaleza/CE – A Delegacia de Proteção ao Idoso investiga se um médium de 55 anos manipulou a própria sogra, de 85, a transferir R$ 1,4 milhão para sete desconhecidos usando supostas ordens espirituais. O caso, tornado público recentemente, envolve ainda o sumiço de mais de R$ 5 milhões das contas do casal de empresários.

  • Em resumo: genro era “assessor espiritual” dos sogros e tinha acesso irrestrito aos apps bancários.

Como a suposta fraude foi articulada

Segundo três das quatro filhas do casal, o médium – identificado pelas iniciais F.G. – levava os idosos a rituais de ayahuasca no centro que preside. Em uma dessas sessões, teria informado que “espíritos” pediam ajuda financeira a irmãos envolvidos em litígio judicial. Poucas semanas depois, a idosa doou R$ 200 mil para cada um dos sete herdeiros, totalizando R$ 1,4 milhão.

O investigado nega influência nas decisões da sogra e sustenta que as mensagens recebidas “incentivavam apenas a caridade”. A Polícia Civil já indiciou o médium por estelionato, mas o Ministério Público do Ceará solicitou diligências complementares. Detalhes do caso constam em relatório sigiloso disponível na Polícia Civil do Ceará.

“Ele dizia incorporar Napoleão, Princesa Isabel e até Ayrton Senna para legitimar as transferências”, relatou uma das filhas no inquérito.

Estelionato contra idosos cresce no Brasil

Crimes patrimoniais envolvendo a população com mais de 60 anos têm escalado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram salto de 74% nas ocorrências de estelionato registradas entre 2012 e 2022. Especialistas apontam maior vulnerabilidade de pessoas que dependem de terceiros para operações digitais – exatamente o cenário do casal cearense, em que o genro possuía senhas e cartões.

O Estatuto do Idoso prevê pena de reclusão de 2 a 6 anos para quem apropriar-se de bens ou rendimentos de pessoa acima de 60 anos. Advogados ouvidos pela reportagem lembram que, se comprovado o uso de substância psicoativa para reduzir a capacidade de discernimento da vítima, a sanção pode ser agravada.

O que você acha? A lei deveria ser mais dura para quem explora financeiramente parentes idosos? Para mais casos de segurança e investigação, visite nossa editoria.


Crédito da imagem: Divulgação / SSPDS

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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