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Mela-mela no Ceará veio do Entrudo que usava urina
Ceará – A tradição do mela-mela, presente em praias e periferias de Fortaleza, Aracati e Paracuru, tem origem no período colonial e deriva do entrudo português, prática que, em espaços públicos, chegou a envolver lama, água suja e até urina — detalhes que explicam por que a sujeira faz parte da festa até hoje e como isso molda a vivência do Carnaval litorâneo.
- Em resumo: o mela-mela atual usa goma, amido e melaço, mas sua raiz histórica no entrudo incluía brincadeiras bem mais agressivas.
Entenda a dinâmica histórica
Pesquisadores apontam que o entrudo — considerado o “pai do Carnaval brasileiro” — misturava brincadeiras domésticas com agressões públicas. A chegada da família real em 1808 introduziu códigos de civilidade que transformaram parte dessas práticas.
Especialistas observam também que o fortalecimento do turismo nas praias impulsionou a popularização do mela-mela; dados do IBGE indicam aumento da atenção ao litoral nas últimas décadas, o que ajudou a consolidar manifestações carnavalescas regionais.
“A possibilidade de transgressão vai se firmando não somente pelo uso de fantasias de toda ordem, mas pelo contato com o outro a partir de limites que naquele momento eram permitidos por acordos que a própria festa permitia, tal como o mela-mela.” — Danielle Maia Cruz, socióloga e psicóloga.
Contexto e impacto na folia cearense
A pesquisadora Vanda Lúcia de Souza Borges mostra que, a partir de 1870, práticas do entrudo foram atenuadas — por exemplo, substituindo pós por “laranjinhas” de borracha com água de cheiro — mas segmentos populares mantiveram versões mais simples e acessíveis do mela-mela.

No Ceará, a tradição ganhou força nas praias especialmente desde meados dos anos 1990, quando carnavais de trio elétrico e turismo de massa ampliaram a prática. Não há lei estadual proibitiva; em 2026, a Prefeitura de Paracuru orientou sobre uso consciente da goma, sem determinar apreensão dos materiais.
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Crédito da imagem: Divulgação
