Menor rebanho em 75 anos pressiona preço da carne nos EUA
Washington, D.C./USDA – O rebanho bovino norte-americano encolheu para 86,2 milhões de cabeças, o menor volume desde 1951, acendendo o sinal de alerta para consumidores que já pagam recordes pelos cortes de carne.
- Em resumo: falta de gado deve manter os preços em alta pelo menos até 2028, segundo analistas.
Seca prolongada trava a recuperação dos pecuaristas
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos atribui a queda à persistente estiagem que castigou pastagens no Meio-Oeste e no Texas. Sem pasto e com ração mais cara, produtores enviaram mais fêmeas para o abate, cortando a capacidade de reposição do plantel.
Desde 2019, a redução acumulada supera 4 milhões de cabeças. Apenas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a baixa foi de 0,4%. O movimento replica o quadro de 2014, quando outra seca histórica reduziu o rebanho, mas desta vez a recuperação tende a ser mais lenta.
“Não há sinais de uma reconstrução de verdade”, alerta Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale.
Impacto direto no bolso do consumidor norte-americano
Com menos oferta, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,69 por libra em dezembro, 19% acima do ano anterior. Para analistas do mercado futuro em Chicago, cada 1% de redução no rebanho pode gerar até 3% de alta na gôndola, efeito potencializado pela demanda firme de redes de fast-food.

Globalmente, os Estados Unidos respondem por cerca de 20% das exportações de carne bovina. Uma oferta menor tende a deslocar compradores para mercados como Brasil e Austrália, elevando cotações internacionais e afetando também o churrasco do brasileiro, segundo projeções do IBGE.
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