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Menores armados confessam dois assassinatos e alarmam o Cariri
AURORA, CE – Em uma operação no fim da tarde de domingo (31/3), o Raio cercou uma casa no bairro São Benedito e apreendeu dois adolescentes de 14 e 15 anos que admitiram, em vídeo, participação em dois homicídios ocorridos dias antes em Lavras da Mangabeira. A dupla, ligada a facções, estava com uma pistola calibre 380 e três munições intactas.
- Em resumo: jovens confessam crimes, arma é recolhida e caso põe foco no crescente uso de menores por facções.
Como a polícia chegou até os suspeitos
Segundo o tenente-coronel L. Rodrigues, a inteligência da PM recebeu denúncia de que os menores, suspeitos dos homicídios mais recentes em Lavras, teriam buscado refúgio em Aurora. Durante o cerco, os rapazes tentaram fugir e arremessaram a pistola por sobre o muro, mas caíram e se feriram levemente.
Na sequência, autorizaram a gravação de um vídeo no qual citam detalhes dos crimes, reforçando a confissão. Conduzidos à Delegacia Regional de Brejo Santo, foram autuados por ato infracional equivalente à posse ilegal de arma; não houve flagrante pelos homicídios, que agora seguem sob investigação.
“Eles relataram frieza incomum para a idade e confirmaram envolvimento com facções rivais”, relatou um oficial que participou da ação.
As vítimas e o rastro de violência
O primeiro assassinato atribuído aos adolescentes ocorreu em 21 de março: o entregador de pizzaria José Kaio Pinto de Macedo, 20, foi surpreendido por tiros quando buscava um endereço no centro de Lavras. Quatro dias depois, em 25 de março, o comerciante Luiz Pinto de Macedo Filho, 62, conhecido como “Júnior Pinto”, foi morto em seu sítio no Calabaço, zona rural da mesma cidade.
Ambas as execuções, segundo investigadores, teriam sido motivadas por rivalidade entre grupos criminosos que cooptam menores para tarefas de “cobrança”. Dados do Atlas da Violência 2023 mostram que, no Ceará, 13% dos autores de homicídio detidos em 2022 tinham menos de 18 anos – taxa superior à média nacional.

O que acontece agora?
Por serem menores, o processo tramita em segredo de Justiça e contou com acompanhamento do Conselho Tutelar. Caso sejam responsabilizados, podem cumprir medida socioeducativa de até três anos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Enquanto isso, a polícia busca identificar mandantes e eventuais cúmplices maiores de idade.
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Crédito da imagem: Divulgação
