BRASÍLIA – Publicadas no Diário Oficial da União, as novas regras do Minha Casa, Minha Vida ampliam imediatamente o teto de renda familiar e o valor dos imóveis financiáveis, tornando o crédito habitacional mais barato para até 87,5 mil famílias brasileiras.
- Em resumo: renda sobe para R$ 13 mil e imóveis podem chegar a R$ 600 mil, com juros menores que os de mercado.
Por que as faixas mudaram e quem entra no programa
A Faixa 1 agora aceita renda de até R$ 3.200, enquanto a recém-criada Faixa 4 salta para R$ 13 mil. Com isso, famílias que antes pagavam até 10% ao ano passam a contratar crédito a 7% ao ano — alívio crucial quando a Selic permanece em 14,75%.
Segundo o Ministério das Cidades, mais 31,3 mil famílias ingressam na Faixa 3 e outras 8,2 mil na Faixa 4. A medida também ajusta o preço máximo dos imóveis: até R$ 400 mil na Faixa 3 e R$ 600 mil na Faixa 4, acompanhando a valorização recente do mercado. Dados de oferta habitacional do IBGE apontam que o preço médio do metro quadrado subiu quase 12% nos últimos 12 meses, pressionando quem buscava financiamento fora do MCMV.
Na prática, o teto de acesso ao programa saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.
Efeito dominó: classe média volta ao radar das construtoras
Especialistas ouvidos pelo setor afirmam que a mudança recoloca um contingente de compradores que havia migrado para o aluguel. Ana Maria Castelo, da FGV Ibre, lembra que o MCMV sustentou recorde de contratações em 2025, oferecendo oxigênio a incorporadoras impactadas pela alta de custos de insumos.

Para o consumidor, o novo limite de R$ 600 mil significa acessar unidades maiores ou em bairros centrais sem recorrer às linhas tradicionais, cujos juros são, em média, 1,5 ponto percentual mais altos, conforme dados da Caixa Econômica Federal. Já para o governo, a reformulação cria amortecedor contra a desaceleração do varejo e reforça a cadeia da construção civil, segmento responsável por cerca de 6,3% do PIB.
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