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quinta-feira, março 12, 2026

Missões destroem palácios iranianos e ameaçam 30 tesouros da Unesco

Missões destroem palácios iranianos e ameaçam 30 tesouros da Unesco

Teerã, Irã – Bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, registrados em 3 de março, quebraram vitrais centenários, racharam arcadas ornamentadas e deixaram ao menos quatro monumentos históricos do Irã à beira do colapso, reacendendo o alerta global sobre a guerra e o patrimônio cultural.

  • Em resumo: Palacio Golestan, Chehel Sotoun, Masjed-e Jāme e cavernas pré-históricas sofreram danos estruturais.

Por que o impacto vai além das fronteiras iranianas?

Os locais atingidos integram a Lista do Patrimônio Mundial, conjunto de apenas 1.199 sítios considerados “de valor excepcional para a humanidade”, segundo dados oficiais da Unesco. Perder um deles equivale a apagar séculos de memória coletiva que ajuda a contar a história do Oriente Médio e, por extensão, da civilização.

Especialistas lembram que destruir artefatos culturais pode configurar crime de guerra segundo a Convenção da Haia (1954), instrumento que baliza o direito humanitário internacional. Mesmo assim, relatórios da ONU indicam que 290 patrimônios já foram danificados em conflitos na última década, de Aleppo à Ucrânia.

“Quando civis perdem seus monumentos, perdem também parte de sua identidade”, reforçou Bonnie Docherty, pesquisadora da Human Rights Watch.

Memória coletiva sob ameaça e lacunas na proteção

O Irã possui 30 sítios na lista da Unesco – número equivalente ao da Alemanha e superior ao de potências turísticas como Egito e Grécia. Ainda assim, apenas três contam com “proteção reforçada”, status que exige atualização constante da geolocalização para fins militares. A diplomacia iraniana e libanesa encaminhou pedido para ampliar essa salvaguarda após os ataques.

Há também repercussões sociais. A destruição do Palácio Chehel Sotoun afeta moradores que dependem do turismo patrimonial, setor que movimentou US$ 3,2 bilhões no país em 2024, segundo o Banco Central Iraniano. Para a diáspora, como a iraniano-americana Shabnam Emdadi, cada azulejo quebrado significa “perder um pedaço do pai” e da própria história familiar.

O que você acha? A comunidade internacional deveria adotar sanções específicas para proteger bens culturais em zonas de guerra? Para mais análises globais, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / ISNA via AP

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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