Morre Afrika Bambaataa: ícone do funk carioca e da Zulu Nation
Bronx, EUA – A cultura hip-hop perdeu, na madrugada desta quinta-feira (9), uma de suas vozes fundadoras: Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos, deixando um legado que atravessa oceanos e pulsa nos bailes de favela do Rio de Janeiro.
- Em resumo: Autor de “Planet Rock”, Bambaataa influenciou o surgimento do funk carioca e fundou a Zulu Nation, coletivo que pregava paz e consciência social.
Do Bronx às favelas: como “Planet Rock” moldou o batidão
Lançada em 1982, a faixa “Planet Rock” casou beats eletrônicos com o sample de “Trans-Europe Express”, do Kraftwerk, e virou bíblia para DJs brasileiros que mais tarde lapidariam o miami bass no subúrbio carioca. Estudos do IBGE indicam que 18% dos jovens das periferias do Rio consomem algum derivado do funk diariamente, prova do impacto duradouro da obra.
Na década de 2000, Bambaataa desembarcou no país em turnês e na Virada Cultural de São Paulo, pressionando artistas locais a usar o ritmo como “megafone” das lutas comunitárias.
“Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família”, declarou ao jornal O Globo em 2010.
Parcerias, Zulu Nation e polêmicas que desafiam o legado
Em 2016, ele dividiu os vocais de “Tambor” com Fernanda Abreu, misturando berimbau ao tamborzão para celebrar a identidade afro-brasileira. A presença da Universal Zulu Nation, fundada por Bambaataa nos anos 1970, ecoa no rap nacional; nomes como Rapin Hood e Marcelo D2 citam seus “mandamentos” em discos e shows.

A biografia, contudo, ganhou manchas recentes: processos de abuso sexual, iniciados em 2016 e concluídos em 2025 com acordo judicial, suscitaram debates sobre como separar criação artística de condutas pessoais. Mesmo assim, historiadores do hip-hop lembram que, sem Bambaataa, a fusão entre rap e música eletrônica – base do techno, house e EDM – talvez não existisse.
O que você acha? A influência supera as polêmicas ou o legado deve ser reavaliado? Para mais análises da cena pop, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Instagram do artista





