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Morte de Bira Haway, cérebro milionário do pagode 90
Rio de Janeiro (RJ) – A cena do samba perdeu, na última quinta-feira (25), o produtor musical Ubirajara de Souza, o Bira Haway, 74, peça-chave na explosão do pagode romântico nos anos 1990. De estúdios anônimos a discos que bateram milhão em vendas, ele costurou arranjos que colocaram grupos como Exaltasamba, Molejo, Revelação e Soweto no topo das paradas.
- Em resumo: arquiteto de hits que venderam mais de 5 milhões de cópias nos anos 90, Haway morreu de causa ainda não revelada.
Um maestro invisível por trás dos grandes sucessos
Multi-instrumentista iniciado no surdo aos 13 anos, Haway nunca se contentou em apenas “segurar a marcação”. A partir de 1983, mergulhou na produção de estúdio e, já em 1996, assinou “Não Quero Saber de Ti Ti Ti”, disco que colocou o Molejo entre os álbuns mais tocados da década, segundo dados do IBGE sobre consumo cultural. Em 1998, repetiu o feito ao lapidar “Cartão Postal”, do Exaltasamba, referência obrigatória para qualquer roda de samba pop.
O alcance surpreendente dessas obras se mede em cifras: a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) aponta que, entre 1995 e 2000, o pagode respondeu por 18 % de todo o mercado fonográfico nacional, índice similar ao do sertanejo no mesmo período.
“Bira entendia cada tamborim como se fosse a voz principal da música”, recordou Zeca Pagodinho em nota de pesar divulgada nas redes sociais.
Legado que ultrapassa as fronteiras do samba
Filho de compositor de bloco e de porta-bandeira, o carioca do bairro Santo Cristo carregava o samba no DNA. Ainda assim, seu trabalho transcendeu o gênero: artistas do funk melódico e até do axé o procuravam para “dar liga” às bases percussivas. Para especialistas, o cuidado cirúrgico nos metais e nos pandeiros abriu caminho para a chamada “fase pop” do pagode, responsável por inserir o estilo em trilhas de novelas da Globo e campanhas publicitárias.

Além das cifras, fica a aula de produção colaborativa: Haway exigia que cada grupo entrasse no estúdio duas semanas antes da gravação oficial, prática hoje comum em labels independentes. A metodologia rende frutos: segundo levantamento da Pro-Música Brasil, seis dos dez discos de pagode mais executados no streaming foram produzidos ou inspirados por ele.
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Crédito da imagem: Divulgação / Facebook
