FORTALEZA/CE – Morto na última quinta-feira (9), o capitão ganês de 68 anos que chefiava o navio africano deixado 61 dias à deriva no Atlântico não resistiu às complicações de saúde e faleceu na UPA da Praia do Futuro, elevando a tensão entre os tripulantes ancorados no Porto de Fortaleza.
- Em resumo: óbito do comandante deixa nove tripulantes sem visto à espera de reparos e define o futuro da embarcação.
Resgate dramático e colapso de saúde
Rebocado em 27 de março pelo Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo, da Marinha do Brasil, o cargueiro chegou ao Ceará com mantimentos escassos e parte da tripulação debilitada após uma pane hidráulica que interrompeu a rota Senegal–Guiné-Bissau.
Segundo a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará, o capitão apresentava confusão mental, hipertensão sem medicação e quadro de desidratação ao desembarcar. A rápida piora demandou internação e, agora, mobiliza o governo estadual para localizar parentes em Gana e viabilizar o traslado do corpo.
“As 11 vidas salvas confirmam o êxito da missão, mas o desfecho evidencia o desgaste físico e psicológico sofrido em alto-mar”, disse o Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, comandante do 3º Distrito Naval.
Destino da tripulação e impacto migratório
O óbito expôs um impasse migratório: oito ganeses e um albanês permanecem no navio porque não possuem visto brasileiro e optaram por ficar juntos até que técnicos da empresa mauritana cheguem, ainda nesta sexta (10), para concluir o conserto. Ofertas de abrigo e repatriação foram recusadas, segundo o Programa Estadual de Atenção ao Migrante.
Casos de embarcações à deriva não são raros: de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, mais de 2,4 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas marítimas ao redor do mundo em 2023, muitas por falhas mecânicas ou falta de socorro. A ONU alerta para a precarização das condições de trabalho em navios de bandeira de conveniência, cenário que se repete nesta embarcação africana.

Enquanto aguardam peças e mão de obra, apenas o tripulante holandês, que possuía visto, retornou ao seu país esta semana. Os demais seguem sob vigilância sanitária e acompanhamento psicológico, abastecidos por cestas básicas fornecidas pelo governo estadual.
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Crédito da imagem: Divulgação / Marinha do Brasil





