LOS ANGELES – Na última quarta-feira (15), o primeiro trailer de “As Deep as the Grave” surpreendeu o público ao mostrar Val Kilmer, falecido em 2025, atuando graças a um processo de inteligência artificial que reconstruiu o rosto e a voz do astro de 65 anos.
- Em resumo: tecnologia revive ator em diferentes fases da vida, com aval da família e do sindicato de Hollywood.
Como a IA devolveu Kilmer às telas
Para reproduzir o intérprete de “Top Gun”, a FirstLine Films alimentou algoritmos com centenas de horas de material de arquivo cedido pela filha do ator, Mercedes Kilmer. Segundo a revista Variety, engenheiros usaram deep learning para gerar expressões faciais e timbre, enquanto um dublê de corpo forneceu movimentos de referência.
O personagem — um padre inspirado na ancestralidade indígena de Kilmer — foi inserido cena a cena sem que o ator tenha gravado um único take, respeitando as diretrizes do SAG-AFTRA sobre réplicas digitais pagas a herdeiros.
“Ele sempre olhou para tecnologias emergentes com otimismo como ferramenta para expandir narrativas”, afirmou Mercedes Kilmer.
O que muda para Hollywood e para o público
O uso comercial de réplicas digitais cresceu 23% desde 2022, de acordo com levantamento da consultoria Grand View Research. Após a greve dos atores de 2023, o acordo que limita o escaneamento de artistas vivos tornou-se referência mundial, mas não impede produções póstumas com autorização familiar.

Especialistas apontam que a prática pode economizar até 30% do orçamento de filmagens, porém levanta debates éticos sobre consentimento póstumo e saturação de imagens “imortais”. A estreia de “As Deep as the Grave” deve intensificar a discussão, especialmente após sucessos recentes como a presença digital de James Dean em “Finding Jack”.
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