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segunda-feira, março 30, 2026

Na terra mais violenta do Brasil, Baixio soma 16 anos sem crime

Na terra mais violenta do Brasil, Baixio soma 16 anos sem crime

BAIXIO (CE) – Enquanto o Ceará encerrou 2025 com 3.022 assassinatos e a maior taxa de mortes violentas do país, este pequeno município do Cariri segue na contramão: não registra homicídios desde 21 de outubro de 2010, completando 16 anos de estatística zerada e intrigando especialistas.

  • Em resumo: cidade de 5,8 mil habitantes mantém 0 assassinatos, apesar do avanço de facções no interior cearense.

Por que a violência não cruza a divisa de Baixio?

Autoridades locais apontam três pilares: população reduzida, policiamento de proximidade e redes comunitárias fortes. A presença de apenas três policiais militares, aliados à base do RAIO em Ipaumirim, cria um cinturão de vigilância onde “todo estranho é notado em minutos”, descreve Harley Filho, da SSPDS.

Essa lógica confirma estudos do Atlas da Violência, segundo os quais municípios com menos de 10 mil moradores tendem a apresentar índices até 70 % menores de homicídios quando políticas sociais acompanham a segurança.

“A população se acostumou a viver em plena tranquilidade; qualquer suspeita vira ligação direta para o celular do policial”, resume Harley Filho.

Trabalho social e escola na linha de frente

A prefeitura investe no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, que ocupa crianças com esporte, arte e rodas de conversa. Segundo a secretária de Assistência Social, Ivana Ferreira Farias, o acompanhamento “entra na casa da vítima e do agressor”, reduzindo fatores de risco como violência doméstica e evasão escolar.

O PROERD também é aplicado regularmente nas cinco escolas municipais, reforçando prevenção ao uso de drogas. Em 2025, Baixio não registrou nenhum feminicídio, contraste gritante aos 47 casos no restante do Ceará.

A ameaça das facções e o desafio de 2026

Mesmo sem homicídios, a tranquilidade já foi testada. No ano passado, uma operação da Polícia Civil cumpriu 22 prisões contra integrantes da facção paraibana Nova Okaida, que tentava se estabelecer na região. A rápida reação policial e o alerta dos moradores impediram confrontos armados.

Especialistas da Universidade Federal do Ceará alertam: quando apenas uma facção domina o território, o silêncio pode esconder controle social; a disputa com rivais costuma deflagrar o aumento de mortes. Por isso, Baixio virou laboratório para o estado, que estuda reproduzir suas práticas de prevenção em outros 13 municípios sem Crimes Violentos Letais Intencionais há dois anos.

E você? Acredita que o modelo comunitário de Baixio pode ser replicado em cidades maiores? Para mais reportagens sobre segurança pública, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / G1

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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