Nanda Tsunami: 25 milhões com rap de sexo e misticismo
São Paulo – Recentemente, a rapper paulista Fernanda Xavier Ferreira Santana, 26, conhecida como Nanda Tsunami, virou fenômeno ao somar mais de 25 milhões de reproduções com o hit “P.I.T.T.Y (Parecendo Uma Cafetina)”. O sucesso expõe um movimento artístico que transforma narrativas sobre desejo, espiritualidade e saúde emocional em discurso público — e coloca questões sobre poder e assédio na indústria musical no centro do debate.
- Em resumo: Nanda mistura sexo, misticismo e terapia em um rap que viralizou e homenageia Pitty, ampliando identificação com público majoritariamente feminino.
Entenda a dinâmica por trás do hit
Nascida e criada no centro de São Paulo, Nanda compõe desde a pandemia e construiu sua identidade musical entre funk paulista, trap, R&B e afrobeats. O single “P.I.T.T.Y” subverte versos machistas do funk ao ironizar a objetificação feminina e samplear referências do universo das cafetinas — com a própria Pitty reagindo nas redes sociais.
Ao abordar o tema do assédio e da desvalorização de mulheres no mercado musical, a artista toca em um problema social mais amplo; relatórios sobre violência contra mulheres mostram como a vulnerabilidade se manifesta em diferentes esferas da vida pública e profissional.
“É entender o que eu realmente gosto e o que eu faço só para agradar, sabe? … Quando você se abre para o sexo, (na visão de algumas pessoas) é como se todas as suas coisas boas caíssem por terra.” — Fernanda Xavier Ferreira Santana
Contexto, estética e impacto
Além do erotismo como ferramenta narrativa, Nanda incorpora práticas como meditação guiada e Ho’oponopono ao processo criativo, transformando faixas em experiências sensoriais que misturam ritual e pop. Seu EP “Tsunami Season” (2024) e o álbum “É Disso Que Eu Me Alimento” (2025) aprofundam essa estética mística ligada ao autoconhecimento.

O crescimento da artista também se apoia numa comunidade fiel, majoritariamente feminina, que identifica nas letras uma voz de autonomia e reparação emocional. Em um país onde índices de violência contra mulheres continuam altos, segundo o Atlas da Violência (IPEA), a visibilidade de narrativas sobre poder e desejo ganha peso simbólico e social.
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Crédito da imagem: Divulgação
