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domingo, março 15, 2026

Navios parados: refinarias dos EUA travam com petróleo venezuelano

Navios parados: refinarias dos EUA travam com petróleo venezuelano

Houston, Texas – O inesperado salto de quase 200% nas importações de petróleo da Venezuela, fruto de um acordo de US$ 2 bilhões fechado em janeiro, criou um gargalo histórico na Costa do Golfo dos Estados Unidos, derrubou preços e deixou navios cheios de barris ancorados à espera de comprador.

  • Em resumo: oferta venezuelana triplicou, mas parte dos 284 mil barris/dia segue sem destino e já é vendida com desconto de US$ 9,50 por barril.

Descontos recordes e tanques cheios

A Chevron, hoje principal operadora norte-americana na Venezuela, subiu seus embarques para 220 mil barris/dia em janeiro. As tradings Vitol e Trafigura também receberam licença de Washington e, juntas, despacharam mais 12 milhões de barris para terminais no Caribe.

O movimento inundou o mercado: refinarias relataram que o barril venezuelano pesado, antes cotado com abatimento de US$ 6 a US$ 7,50 sobre o Brent, agora sai a –US$ 9,50. Segundo dados do IBGE sobre pressão de oferta na inflação, oscilações bruscas de preço em commodities energéticas costumam repercutir em cadeia na economia.

“Há mais petróleo para vender do que plantas prontas para processar”, disse um operador que negocia na Costa do Golfo.

Por que os EUA não conseguem absorver?

Desde o embargo de 2019, muitas refinarias americanas adaptaram suas unidades para óleo canadense, mais viscoso e barato. Retornar à configuração anterior exige semanas de ajustes técnicos e custos adicionais, explicam analistas.

Mark Lashier, CEO da Phillips 66, calcula capacidade para 250 mil barris/dia, “desde que o preço compense”. Enquanto isso, petroleiros reduzem velocidade ou permanecem ancorados, cenário que lembra o superávit registrado durante o choque de demanda em 2020.

Washington aposta em redirecionar parte do excedente para a Índia, após aceno comercial que prevê corte de tarifas norte-americanas em troca de menor compra de petróleo russo. Se concretizado, o acordo pode desafogar os portos texanos.

O que você acha? A ofensiva dos EUA sobre o petróleo venezuelano vai equilibrar o mercado ou criar nova instabilidade de preços? Para mais análises, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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