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quinta-feira, março 26, 2026

‘Negona branca’: fala de Mara Maravilha nos EUA provoca onda de críticas

‘Negona branca’: fala de Mara Maravilha nos EUA provoca onda de críticas

ORLANDO, EUA – Em uma entrevista concedida recentemente a um canal brasileiro que cobre eventos nos Estados Unidos, a apresentadora Mara Maravilha, 58, descreveu-se como “uma negona branca”. A declaração viralizou nas redes e voltou a colocar a artista no centro de um debate sobre raça e representatividade.

  • Em resumo: o termo usado por Mara gerou acusações de apropriação racial e dominou os Trending Topics poucas horas após a publicação do vídeo.

Fala ao vivo provoca reação imediata

No trecho que circula na internet, a ex-apresentadora infantil tenta explicar a própria aparência e afirma ter “origem baiana” antes de soltar a frase polêmica. Pouco depois, perfis de influência negra condenaram o comentário, classificando-o como desrespeitoso ao histórico de lutas contra o racismo no Brasil.

Segundo dados do IBGE, 56,1% dos brasileiros se autodeclaram negros ou pardos, grupo que ainda lidera estatísticas de desigualdade em renda e acesso à educação. Especialistas apontam que expressões que misturam identidades podem minimizar essas disparidades.

“Eu sou uma negona branca, porque tenho essa coisa de baianidade no sangue”, disse Mara Maravilha durante o bate-papo exibido no YouTube.

Por que o termo incomoda?

Para estudiosos da comunicação, a expressão “negona branca” reforça estereótipos e ignora o conceito de autodeclaração racial, previsto desde 2010 nos censos nacionais. A advogada Michelle Lourenço, pesquisadora de direito antidiscriminatório, lembra que o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) reconhece a identidade negra como fator de proteção histórica e social, não como adjetivo livre de contexto.

Não é a primeira vez que a artista se envolve em controvérsia. Em 2020, ela já havia sido criticada por comentários considerados LGBTfóbicos. Agora, movimentos como a Coalizão Negra por Direitos cobram um pedido público de desculpas e a participação da apresentadora em campanhas educativas sobre o tema.

O que você acha? A declaração foi apenas infeliz ou revela um problema mais profundo na sociedade brasileira? Para acompanhar outras pautas sobre cultura pop e comportamento, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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