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terça-feira, março 31, 2026

Ney Matogrosso e Roberta Sá revivem afrosambas de 60 anos

Ney Matogrosso e Roberta Sá revivem afrosambas de 60 anos

Rio de Janeiro (RJ) – O cantor Marcos Sacramento transformou um estúdio carioca em ponto de peregrinação musical ao reunir, recentemente, Ney Matogrosso, Roberta Sá e Pedro Miranda na gravação de um álbum que reinterpreta, faixa a faixa, o lendário “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”, lançado em 1966.

  • Em resumo: projeto celebra 60 anos do repertório com convidados de peso e arranjos que ampliam a fusão entre samba e herança africana.

Por que este disco é mais que uma simples homenagem

Sacramento já vinha apresentando o espetáculo “Os afrosambas 60 anos” desde 5 de março, mas decidiu eternizar o set list em disco, trazendo canções adicionais como “Berimbau” e “Consolação”, compostas antes do álbum original. O movimento resgata a ousadia estética de Baden Powell e Vinicius de Moraes, cuja mistura de atabaques, violão e liturgia do Candomblé revolucionou o samba nos anos 1960.

Segundo o IBGE, mais de 16 milhões de brasileiros se declaram negros praticantes de religiões de matriz africana ou simpatizantes. Essa base cultural, que sempre sustentou os afrosambas, ganha agora leitura contemporânea com vozes de gerações distintas.

“Canto de Ossanha continua um grito de liberdade; nossa missão é manter sua chama acesa”, disse Sacramento no intervalo das gravações.

Raiz africana em diálogo com a cena atual

Ney Matogrosso gravou participação na faixa “Canto de Xangô”, dando novo peso dramático ao tema. Já Roberta Sá emprestou a voz suave a “Canto de Iemanjá”, enquanto Pedro Miranda revisitou o ritmo sincopado de “Bocochê”. O violonista Zé Paulo Becker, parceiro de palco de Sacramento, assina a produção musical e sustenta a reverência às batidas de agogô e atabaques originais, mas adiciona sopros e cordas que prometem dialogar com audiências de streaming.

O lançamento está previsto para o segundo semestre. Além de disponibilização digital, há negociação para prensagem limitada em vinil, formato que impulsionou o LP nos anos 1960 e que vive renascimento: a venda de discos de vinil no Brasil cresceu 33 % em 2023, de acordo com dados da Pro-Música.

E você? Acha que os novos arranjos farão justiça ao legado de Baden e Vinicius? Para outras notícias do universo pop, visite nossa editoria.


Crédito da imagem: Divulgação / Instagram de Marcos Sacramento

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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