Nike na mira da Justiça: suspeita de barrar promoções de funcionários brancos
WASHINGTON, EUA – A Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC) foi à Justiça federal para obrigar a Nike a entregar documentos que possam comprovar uma suposta política de discriminação inversa contra trabalhadores brancos, investigada desde 2018.
- Em resumo: Órgão acusa a marca de restringir contratações, promoções e programas de mentoria com base na cor da pele.
Por que a EEOC recorreu ao tribunal?
Segundo petição protocolada no Tribunal Distrital do Missouri, a Nike não respondeu integralmente à intimação administrativa que solicitava critérios de demissão, salários e a lista de 16 programas de carreira supostamente exclusivos para minorias. Ao acionar a Justiça, a EEOC reforça que descumprir uma intimação viola o Título VII da Lei dos Direitos Civis, que proíbe discriminação de qualquer raça.
Caso a empresa continue reticente, o tribunal pode aplicar multas diárias e até suspender benefícios fiscais. A medida é rara: em 2023, apenas 4% das mais de 80 mil denúncias levadas à EEOC chegaram à fase judicial.
“A lei protege trabalhadores de todas as raças. Se programas de diversidade ultrapassarem essa linha, vamos intervir”, disse Andrea Lucas, presidente da EEOC.
O que está em jogo para empresas e diversidade
Nos Estados Unidos, processos por “discriminação reversa” cresceram 40% na última década, de acordo com levantamento da Society for Human Resource Management. Gigantes como Google e Morgan Stanley já revisaram metas de diversidade após ações semelhantes.

A Nike investe, desde 2020, US$ 140 milhões anuais em projetos de inclusão. Se condenado, o grupo poderá enfrentar indenizações multimilionárias e revisão completa de sua política de DEI – um sinal de alerta para companhias que operam programas semelhantes no Brasil, onde o debate sobre cotas em processos seletivos ganha força.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS
