Operação bloqueia R$4 mi e prende 14 por expulsar famílias no CE
Fortaleza/CE – Uma força-tarefa da Polícia Civil amanheceu, na última terça-feira (10), em três bairros da capital e na Jurema, em Caucaia, para desarticular um núcleo do Comando Vermelho acusado de deslocamento forçado de moradores. Quatorze suspeitos foram presos e 18 contas bancárias, que somavam cerca de R$ 4 milhões, foram congeladas.
- Em resumo: facção expulsava famílias e usava imóveis vazios como pontos de droga e depósito de armas.
Como a facção atuava nos bairros
Segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), o grupo impunha um “prazo de saída” às vítimas; quem resistia sofria ameaças de morte. A operação Impacto III cumpriu 33 mandados de busca, sete prisões em liberdade e outras seis dentro de presídios.
Entre os detidos está um homem de 36 anos, reincidente por tráfico. Com ele, os agentes apreenderam 1,5 kg de entorpecentes, 18 celulares e R$ 24 mil em espécie. A companheira dele também foi autuada em flagrante.
“Moradores eram coagidos a deixar as próprias casas, que passavam a funcionar como pontos de apoio da quadrilha”, detalhou a SSPDS.
Deslocamento forçado: crime em crescimento
Desde julho de 2025, o Ceará já contabiliza 91 prisões ligadas a essa prática. O fenômeno, embora recente nas estatísticas, reflete a expansão de facções fora do eixo Rio-São Paulo. O Atlas da Violência 2026 alerta que a região Nordeste concentra 38 % dos homicídios do país, cenário que facilita a tomada territorial por grupos armados.

Especialistas em segurança lembram que o deslocamento forçado afronta o artigo 5º da Constituição, que garante o direito à moradia. No Ceará, projeto de lei em tramitação prevê agravante de pena para quem participar da expulsão de famílias; hoje, a prática é enquadrada em “constrangimento ilegal”.
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Crédito da imagem: Divulgação / SSPDS
