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quarta-feira, abril 1, 2026

Oscar 2026: Diretor diz que brasileiros votariam até num sapato

Oscar 2026: Diretor diz que brasileiros votariam até num sapato

Madri, Espanha – A poucos dias da cerimônia do Oscar 2026, o cineasta franco-espanhol Óliver Laxe, 43, provocou desconforto ao ironizar a atuação dos eleitores brasileiros na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS). Em um talk show da TVE, ele declarou que, “se os brasileiros inscrevessem um sapato, todos votariam nele”, referindo-se às quatro indicações de “O Agente Secreto”.

  • Em resumo: Indicado por “Sirât”, Laxe critica suposto “voto de cabresto” brasileiro e acirra debate sobre nacionalismo na AMPAS.

Da piada ao desconforto na Academia

A fala ecoou rapidamente entre membros da AMPAS e da indústria ibero-americana. De acordo com levantamento publicado pela própria Academy of Motion Picture Arts and Sciences, o colégio eleitoral reúne cerca de 10 mil votantes, dos quais pouco mais de 70 têm passaporte brasileiro.

Para especialistas em comportamento de jurados, a acusação de “ultranacionalismo” esbarra no regulamento: desde 2021, a AMPAS exige que cada votante comprove ter assistido a todos os concorrentes antes de marcar a cédula digital.

“Na Academia há muitos brasileiros, nós gostamos muito deles, mas eles são ultranacionalistas”, disparou Óliver Laxe no programa “La Revuelta”.

Quem é Óliver Laxe e por que a fala importa

Galardoado três vezes em Cannes, Laxe concorre neste ano a Melhor Filme Internacional e Melhor Som com “Sirât”, drama que acompanha pai e filho pelo deserto do Marrocos. O diretor integra a chamada “geração galega” de cineastas que misturam documentário e ficção para discutir fé e pertencimento.

Embora a polêmica tenha ganho as manchetes, ela também evidencia a pressão sobre “O Agente Secreto”, longa de Kleber Mendonça Filho que igualou o recorde brasileiro de indicações obtido por “Cidade de Deus” em 2004. Segundo o Atlas do Cinema Latino, apenas 12 produções lusófonas chegaram à categoria principal na história da premiação.

Além das críticas, o comentário reacende o debate sobre blocos de voto. Um estudo de 2025 da Universidade da Califórnia apontou que filmes de países com maior número de votantes tendem a receber até 18 % mais menções nas primeiras fases de seleção.

O que você acha? A declaração de Laxe é justa ou reforça estereótipos sobre o cinema nacional? Para mais análises sobre cultura pop e premiações, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via AFP

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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