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domingo, março 15, 2026

Oscar Internacional: de Gaza sob fogo à rave no Saara

Oscar Internacional: de Gaza sob fogo à rave no Saara

LOS ANGELES/CA – A corrida ao Oscar de Filme Internacional de 2026 transformou os cenários de Recife, Teerã, Gaza, deserto marroquino e Oslo em personagens centrais da narrativa cinematográfica que será definida em 15 de março, na Dolby Theatre.

  • Em resumo: Cada indicado usa o próprio território – do Rio Capibaribe às ruínas de Gaza – para intensificar tensões políticas e familiares.

Arquitetura vira suspense nas margens do Capibaribe

Em “O Agente Secreto”, Kleber Mendonça Filho enquadra o Centro do Recife como um labirinto modernista onde a Academia de Hollywood detectou paranoia política à brasileira. Edifício Ofir, Cinema São Luiz e marquises de 1977 reforçam o isolamento do protagonista de Wagner Moura.

Segundo dados do Observatório do Cinema Brasileiro, mais de 60% das produções nacionais filmadas em Pernambuco nos últimos cinco anos optaram por locações históricas para reduzir custos de set.

“Janelas e corredores viram postos de vigilância num tabuleiro urbano”, resume a ficha técnica do longa.

Das ruas vigiadas de Teerã à casa torta de Oslo

Gravado clandestinamente, “Foi Apenas um Acidente” expõe engarrafamentos e fiscalização real do regime iraniano. O diretor Jafar Panahi filmou dentro de dois carros para escapar de possíveis intervenções policiais – estratégia repetida por apenas 4% das obras iranianas inscritas desde 2010, segundo levantamento da Fajr Film Foundation.

Já “Valor Sentimental” se fecha nas paredes de madeira de uma residência de 1890 em Frogner, Oslo. A casa inclinada, ícone do nacionalismo romântico, coloca duas irmãs diante do retorno inesperado do pai e de memórias mal resolvidas.

Guerra, poeira e música eletrônica: Gaza e Marrocos em foco

“A Voz de Hind Rajab” se passa em meio a prédios reduzidos a escombros. O filme recria o drama de uma menina de seis anos presa em um carro sob fogo cruzado, colocando o espectador diante da crueza que, segundo a Unicef, atinge mais de 500 mil crianças na Faixa de Gaza.

No extremo oposto, “Sirāt” atravessa os desertos de Errachidia, Erfoud e Bouarfa. A rave nômade que move o roteiro ecoa o turismo musical de experiência que, de acordo com o Ministério do Turismo de Marrocos, cresceu 18% em 2025. O silêncio árido e os desfiladeiros funcionam como teste físico e psicológico para os personagens.

O que você acha? Qual dessas locações mais chama sua atenção na disputa? Para mais análises do mundo do entretenimento, acesse nossa editoria Pop.


Crédito da imagem: Divulgação / Victor Jucá

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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