Cidade do Vaticano – Na última segunda-feira (13), o papa Leão XIV revidou as críticas feitas pelo presidente Donald Trump e declarou que “não teme o governo americano”, elevando a tensão diplomática entre a Casa Branca e o Vaticano.
- Em resumo: Pontífice rebateu Trump horas após ataques públicos do presidente.
Por que o tom subiu agora?
O atrito começou quando Trump questionou, em rede social, recentes posições do papa sobre migração e desigualdade. Minutos depois, Leão XIV respondeu durante audiência no Vaticano, dizendo que “os muros da fé são mais fortes que os de concreto”. Segundo levantamento do Pew Research Center, 70% dos católicos norte-americanos acompanham declarações papais, o que amplia o alcance político das falas.
Diplomatas ouvidos pela imprensa italiana lembram que, desde Ronald Reagan e João Paulo II, não se via um confronto tão direto entre um presidente dos EUA e um pontífice.
“Não temo o governo americano; temo apenas a perda de justiça para os pobres”, afirmou Leão XIV em pronunciamento televisionado.
O que está em jogo e quais os precedentes
A ruptura verbal ocorre em ano eleitoral nos Estados Unidos. Analistas apontam que Trump tenta reforçar sua base conservadora enquanto o Vaticano pauta temas sociais que podem desagradar parte desse eleitorado. Em 2017, Trump já havia discordado do papa Francisco sobre imigração, mas o embate atual atinge novo patamar ao envolver diretamente a autoridade moral da Igreja.

Historicamente, divergências entre presidentes e papas costumam repercutir no cenário internacional: em 1962, João XXIII mediou a Crise dos Mísseis; em 2003, João Paulo II criticou a invasão do Iraque. Especialistas recordam que, à luz do direito internacional, declarações do Vaticano podem influenciar negociações multilaterais, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.
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