Paquistão mantém canal secreto entre EUA e Irã, dizem fontes
ISLAMABAD – Mesmo após sucessivas rodadas de sanções e ameaças de escalada militar, o Paquistão continua atuando nos bastidores para aproximar Estados Unidos e Irã, segundo diplomatas ouvidos sob condição de anonimato na última quarta-feira (27). O movimento tenta evitar que o impasse sobre o programa nuclear iraniano se transforme em crise aberta no Golfo Pérsico.
- Em resumo: Islamabad mantém interlocução paralela que já permitiu trocas de prisioneiros e debates sobre descongelamento de ativos iranianos.
Por que Islamabad entrou em cena agora?
O governo paquistanês exerce influência regional histórica e teme que um conflito direto paralise rotas comerciais vitais que passam por seu território. De acordo com relatório recente da Agência Internacional de Energia Atômica, o estoque de urânio enriquecido do Irã já ultrapassa em mais de 18 vezes o limite fixado pelo acordo de 2015, o que aumenta a pressão para uma solução diplomática urgente.
Fontes próximas às chancelarias afirmam que reuniões discretas ocorreram em Omã, país tradicionalmente neutro, e também em cidades do Golfo, longe dos holofotes da imprensa internacional.
“Os esforços para facilitar as negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão em andamento, e o Paquistão desempenha papel chave”, disse uma fonte com conhecimento direto das tratativas.
O que está em jogo para EUA, Irã e Paquistão
Para Washington, destravar o diálogo pode significar reduzir o preço global do petróleo em ano eleitoral. Já Teerã busca acesso a cerca de US$ 7 bilhões congelados em bancos estrangeiros, valor que equivale a quase 1,5% do seu PIB, segundo estimativas do Banco Mundial.

Islamabad, por sua vez, negocia a extensão de um acordo energético que prevê a construção do polêmico gasoduto Irã-Paquistão, projeto paralisado desde 2013. Analistas lembram que o país sul-asiático enfrenta déficit energético de 4 GW em horários de pico e vê no acordo uma saída de médio prazo.
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