Pedido de R$ 4 bi do Grupo Fictor surpreende após fiasco Master
São Paulo – O Grupo Fictor pediu recuperação judicial para suas controladoras no Tribunal de Justiça de São Paulo no último domingo (1º), tentando reorganizar dívidas que somam R$ 4 bilhões e conter o abalo financeiro causado pela frustrada aquisição do Banco Master.
- Em resumo: conglomerado quer 180 dias de trégua para negociar e evitar que o colapso atinja 10 mil empregos.
Crise acentuada pela tentativa de comprar o Banco Master
A liquidação extrajudicial do Banco Master, anunciada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, detonou uma onda de especulações que enxugou a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding.
Segundo a companhia, o “grande volume de notícias negativas” travou linhas de crédito e levou à suspensão de projetos. O grupo afirma que não havia inadimplência prévia e que reduziu estrutura física e quadro de pessoal para honrar verbas trabalhistas antes mesmo do pedido à Justiça.
“Nosso objetivo é quitar 100% dos compromissos, sem deságio, preservando as subsidiárias operacionais”, diz a Fictor em nota.
Setores afetados e queda na Bolsa
Fundado em 2007, o conglomerado diversificou da tecnologia para alimentos, energia renovável, infraestrutura e serviços financeiros. A lista inclui 18 unidades de proteína animal capazes de abater 150 mil aves por dia em cinco estados e a gestora Fictor Asset, que administra R$ 966 milhões.
Desde o caso Master, a ação FICT3, listada na B3 em 2024, acumula desvalorização superior a 63%, com tombo extra de 25,44% na segunda-feira (2). Analistas lembram que empresas alimentícias historicamente mostram volatilidade menor que a média do Ibovespa, tornando a queda da Fictor um alerta para investidores.

Dados da Serasa Experian indicam que 1.422 companhias brasileiras ingressaram com recuperação judicial em 2025, alta de 68% sobre 2024 — sinal de que a Fictor não é caso isolado num ambiente de juros elevados e crédito seletivo.
Visibilidade internacional e no esporte em risco
Com escritórios em Miami e Lisboa, o grupo vinha aumentando exposição de marca por meio de patrocínios, como os R$ 21 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo até 2029 e o contrato de até R$ 30 milhões anuais com o Palmeiras. Especialistas avaliam que acordos desse porte podem ser renegociados se o fluxo de caixa seguir pressionado.
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