Pepita assume rara coroa de rainha trans; ‘ato de coragem’
SÃO PAULO – A cantora Pepita, de 43 anos, acaba de cravar o próprio nome na história do Carnaval ao ser anunciada como uma das pouquíssimas mulheres trans à frente de uma bateria. O posto, tradicionalmente ocupado por musas cis, ganha novo significado em 2024, quando a artista define o feito como “um ato de coragem, de resistência”.
- Em resumo: Pepita se torna uma das raras rainhas de bateria trans, reforçando a luta por visibilidade no maior espetáculo cultural do País.
Por que o título de Pepita é histórico
Mesmo com avanços na pauta LGBTQIA+, a presença de mulheres trans em cargos de alto destaque no samba ainda é exceção. Em mais de quatro décadas de desfiles televisivos, menos de dez rainhas de bateria trans foram nomeadas em todo o Brasil, segundo levantamento de escolas de samba.
A conquista ganha peso extra quando se observa o cenário da violência: o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 135 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2022, sendo 79 delas de mulheres trans e travestis. Nesse contexto, desfilar à frente de uma bateria e diante de milhões de espectadores torna-se ato político.
“É um ato de coragem, de resistência”, declarou Pepita, reforçando que pretende representar “todas as meninas que sonham em ocupar esse espaço”.
Visibilidade que ecoa além da avenida
Para pesquisadores de cultura popular, a coroação de Pepita sinaliza uma mudança de mentalidade nas agremiações. Ao dar o primeiro passo, a escola mostra que tradição e inclusão podem coexistir sem ferir a identidade do samba.
Dados da Aliança Nacional LGBTI+ indicam que 73% das pessoas trans sentem falta de referências positivas na mídia. A aparição de Pepita em posição de destaque dialoga diretamente com essa carência, criando espelho para quem ainda vive à margem.

Além do impacto simbólico, o gesto pode influenciar o turismo carnavalesco. Estudos do Ministério do Turismo mostram que 16% dos estrangeiros escolhem o Brasil especificamente pela diversidade cultural e pela atmosfera de tolerância durante o Carnaval.
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Crédito da imagem: Divulgação
