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segunda-feira, março 30, 2026

Petróleo a US$115 pressiona inflação e congela bolsas europeias

Petróleo a US$115 pressiona inflação e congela bolsas europeias

FRANKFURT, ALEMANHA – Às 08h09 (Brasília), o STOXX 600 exibia variação nula enquanto operadores aguardavam os novos números de inflação da Alemanha e digeriam o salto do Brent para US$ 115, impulsionado pela escalada da guerra no Oriente Médio.

  • Em resumo: salto do petróleo realimenta temor inflacionário e pode levar o BCE a rever sua rota de juros.

Por que os dados alemães importam hoje?

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e o harmonizado HICP da maior economia da Europa serão divulgados ainda nesta segunda. Se vierem acima do esperado, reforçarão a narrativa de custo de vida em alta — um fantasma que o Banco Central Europeu tenta conter desde 2022. Para investidores, cada décimo de ponto é munição para apostas sobre juros mais altos, cenário que costuma azedar o apetite por ações.

Segundo dados do Banco Central, choques de energia respondem por quase metade da inflação importada em 2023, reflexo da sensibilidade do bloco aos preços globais de commodities.

“É cedo para falar em novas altas de juros, mas não permitiremos que a inflação de energia contamine o restante da economia”, alertou François Villeroy de Galhau, presidente do Banco Central da França.

Guerra amplia volatilidade e derruba setor de defesa

Os mísseis lançados pela milícia Houthi contra Israel, no fim de semana, ampliaram temores de interrupções marítimas no mar Vermelho, rota que responde por 12% do comércio mundial. O efeito imediato foi a disparada do Brent, que não tocava US$ 115 desde junho de 2022.

Curiosamente, o setor de defesa liderou as perdas de 0,8% no índice, em movimento de ajuste técnico após forte rali no início do conflito. Já a mineradora Rio Tinto puxou o FTSE 100 a 0,2% de alta ao retomar três terminais na Austrália, após a passagem do ciclone Narelle.

Risco de maior queda mensal desde início da pandemia

Com quatro pregões restantes, o STOXX 600 caminha para o pior desempenho mensal desde março de 2020, quando as primeiras quarentenas derrubaram os mercados. À época, o recuo foi de 14,7%. Caso o clima de aversão persista, analistas não descartam repetir a marca.

No Sul da Europa, papeis de infraestrutura como INWIT recuaram 3,1% após a Telecom Italia cancelar contrato de longo prazo. Movimentos corporativos adversos somam-se às incertezas macro, formando um coquetel explosivo para a reta final de março.

O que você acha? O barril acima de US$ 100 vai durar ou é só um soluço do mercado? Para mais análises como esta, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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