Petróleo dispara 20%: barril rompe US$ 100 com sucessão no Irã
NOVA YORK – Num domingo marcado por forte tensão geopolítica, o barril do West Texas Intermediate (WTI) saltou 20%, ultrapassando US$ 109 e encerrando um jejum de quatro anos acima da marca de US$ 100. A disparada veio poucas horas depois de Mojtaba Khamenei ser anunciado como novo líder supremo do Irã, país que responde por 3,3 milhões de barris diários e já opera sob pesadas sanções.
- Em resumo: medo de interrupções no quarto maior produtor da Opep fez o preço do WTI chegar a US$ 109,17, maior patamar desde 2022.
Por que a sucessão iraniana mexe no seu bolso?
Muitos investidores lembram que 25% das reservas petrolíferas do Oriente Médio estão em território iraniano. Qualquer incerteza sobre a continuidade da produção amplia o chamado “prêmio de risco” embutido nos contratos futuros. De acordo com a série histórica do Banco Central, cada ganho de US$ 10 no barril costuma adicionar até 0,4 ponto percentual à inflação brasileira em 12 meses.
A referência internacional Brent também reagiu: avanço de 19%, chegando a US$ 110,35. O valor convertido para reais (R$ 583,44) pressiona importadores e sinaliza custos maiores na bomba.
“É um preço muito pequeno a se pagar pela segurança dos Estados Unidos e do mundo”, afirmou o presidente Donald Trump na rede Truth Social.
Histórico e comparações: o que diz o mercado
Embora expressivo, o salto ainda está longe do recorde absoluto de julho de 2008, quando o petróleo encostou em US$ 147. No entanto, especialistas lembram que, em 2022, a invasão russa à Ucrânia empurrou o WTI a US$ 123. Ou seja, estamos mais próximos desse marco do que dos níveis pré-pandemia, em torno de US$ 60.
O Irã, atualmente, destina 90% de suas exportações à China, estratégia que tem permitido ganhos bilionários mesmo sob embargo. Em 2023, as petroleiras iranianas faturaram US$ 53 bilhões, cifra crucial para o orçamento de Teerã.

Além da ameaça de novos embargos, analistas monitoram a retórica de Trump. Ao dizer que o sucessor de Ali Khamenei “não vai durar muito” sem sua aprovação, o mandatário intensifica o risco de conflito: um terço do petróleo mundial cruza o Estreito de Ormuz, vizinho ao Irã.
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Crédito da imagem: Divulgação / AP
