Petróleo dispara e pode encarecer sua feira em 12%, alertam analistas
Brasília – A escalada do conflito no Irã voltou a empurrar o preço do barril de petróleo para patamares não vistos desde 2022, e o efeito dominó ameaça o bolso do brasileiro já nas próximas semanas, segundo economistas consultados recentemente.
- Em resumo: cada US$ 10 de alta no barril pode adicionar até 0,25 ponto percentual à inflação de alimentos no Brasil.
Por que um conflito a 11 mil km afeta seu prato?
O Oriente Médio concentra cerca de 48% das reservas provadas de petróleo do planeta; quando a oferta fica sob risco, a cotação sobe nos mercados futuros. E combustível mais caro encarece o frete rodoviário, responsável por cerca de 65% da carga movimentada no Brasil, segundo o IBGE.
Com o diesel pressionado, produtos básicos — do tomate ao ovo — tornam-se mais caros nas gôndolas. A indústria também sente: plástico, fertilizantes e embalagens derivados do óleo têm peso relevante na formação do preço final.
“Quando o diesel avança 15%, o custo logístico do agronegócio sobe, em média, 10%”, calcula o pesquisador José Dutra, da Fundação Dom Cabral.
Efeito cascata: da bomba de combustível ao supermercado
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que uma alta de 5% na gasolina costuma refletir em reajustes de até 3% no frete interestadual. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aponta que alimentos e bebidas respondem por 21% do orçamento familiar urbano; qualquer oscilação nessa cesta impacta diretamente a inflação.

O mercado futuro precifica um barril acima de US$ 95, cenário que, segundo a LCA Consultores, poderia elevar a inflação anual em até 0,8 ponto percentual. Esse movimento pode levar o Banco Central a rever a trajetória de cortes na taxa Selic, retardando alívio para o crédito e o consumo.
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