Petróleo jorra de poço raso e surpreende ANP no Ceará
Tabuleiro do Norte/CE – Uma perfuração de apenas 40 metros, feita para buscar água, expôs um líquido com cheiro e aspecto de petróleo e virou caso de estudo urgente para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que visitou o sítio na última quinta-feira (12).
- Em resumo: aporte de óleo tão perto da superfície é raríssimo e pode mudar a vida do agricultor dono do terreno.
Por que a profundidade espanta especialistas
Poços comerciais no Nordeste costumam ultrapassar 1,5 km, segundo dados do IBGE sobre o setor extrativo. Encontrar possível hidrocarboneto a 40 m, em área periférica da Bacia Potiguar, quebra o padrão técnico e levanta a hipótese de migração natural do óleo ou falha geológica ainda não mapeada.
Os técnicos não retiraram amostra no local, mas levaram material coletado pelo IFCE que, em análises preliminares, replica a composição do petróleo potiguar.
“Isso nos causou espanto, porque a profundidade está muito abaixo da prática de exploração”, destacou Ildeson Prates Bastos, superintendente da ANP.
Se for petróleo, quem ganha e quem perde
Pelo artigo 20 da Constituição e pela Lei 9.478/1997, o subsolo pertence à União. Caso a jazida seja confirmada e considerada comercial, a área pode ser leiloada; o agricultor terá direito a até 1 % de participação especial, sem se tornar proprietário do recurso.
A decisão, porém, depende de testes laboratoriais credenciados e de avaliação sobre viabilidade econômica. A Bacia Potiguar produziu 22 mil barris/dia em 2025, mas muitos microssinais foram descartados por baixo volume.

Enquanto espera o laudo, a família segue comprando carros-pipa: a água continua escassa, e novos furos estão proibidos para evitar contaminação do lençol freático.
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Crédito da imagem: Divulgação / IFCE
