PF vê PCC perto de dominar mil postos de gasolina no país
BRASÍLIA-DF – Relatórios da Operação Carbono Oculto revelam que o PCC expandiu seus tentáculos para além do tráfico e já pode controlar mais de 1 000 postos de combustíveis em vários estados, inclusive no Ceará, segundo a Polícia Federal.
- Em resumo: documentos apontam a dupla “Beto Louco” e “Primo” como cérebro financeiro de uma rede “gigantesca” de postos.
Da cocaína às bombas de etanol: como funciona o esquema
Investigadores descrevem uma engrenagem de lavagem de dinheiro que começou com apenas cinco redes de abastecimento e cerca de 300 unidades. Com a análise de celulares e planilhas apreendidas na fase recente da operação, o número saltou para mais de mil estabelecimentos, espalhados por rodovias estratégicas e capitais. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que facções brasileiras movimentam, por ano, ao menos R$ 30 bilhões em atividades que mascaram a origem ilícita dos lucros.
Cada posto faturaria, em média, R$ 2 milhões anuais, o que significa uma possível injeção de R$ 2 bilhões da economia formal no caixa paralelo da facção, estimam peritos do caso.
“O volume mapeado é gigantesco e rompe a fronteira entre o crime organizado e o varejo legal”, aponta um trecho do laudo policial obtido pela reportagem.
Por que isso afeta o consumidor e o mercado
O Brasil possui cerca de 42 mil postos ativos, conforme a Agência Nacional do Petróleo. Se os números da PF se confirmarem, o PCC teria influência em quase 2,5 % do setor, suficiente para manipular preços regionais, coagir fornecedores e usar notas fiscais frias como escudo contra rastreamento de capital.

A prática enquadra-se nos crimes de organização criminosa (Lei 12.850/2013) e evasão de divisas. Especialistas alertam que o custo final pode recair no bolso do motorista, já que fraudes em volumetria e mistura de combustíveis tendem a aumentar quando a gestão visa apenas a lavagem de recursos.
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