PIB surpreende, mas dívida pública dispara 7 pontos sob Haddad
Brasília-DF – Três anos depois de assumir o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad entrega um Produto Interno Bruto (PIB) que supera previsões, mas também uma dívida bruta que avançou de 71% para 78,66% do PIB, segundo o Banco Central, acendendo um sinal amarelo no mercado.
- Em resumo: crescimento econômico veio acima do esperado, porém o endividamento federal subiu sete pontos percentuais.
O voo do PIB e o rastro da dívida
De 2023 a 2025, o PIB brasileiro manteve alta anual – 2,3% em 2025 – contrariando estimativas iniciais. A inflação, mesmo pressionada, ficou dentro da meta em dois dos três anos. Esses números foram destacados em transmissões da Record e da Band, mas os mesmos gráficos exibem um outro movimento: a dívida bruta subindo, como mostram os dados do Banco Central.
O mercado credita parte desse avanço ao déficit primário de R$ 249 bilhões em 2023, reduzido para R$ 47,6 bilhões em 2024, mas ainda distante de um superávit capaz de estabilizar a curva.
“Não chegamos a um desastre fiscal, porém o ritmo atual não garante trajetória sustentável da dívida”, avalia Felipe Salto, ex-Secretário da Fazenda de SP.
Reformas, receitas extras e o freio de gastos
Haddad carimbou a aprovação da reforma tributária em dezembro de 2023, feito inédito após três décadas de debates. A mudança criou o IVA, isentou a cesta básica e instituiu o Imposto Seletivo, promessa de modernizar a arrecadação.
Para turbinar receitas de curto prazo, o governo elevou IOF, instituiu a “taxa das blusinhas” e ampliou fiscalizações. Ainda assim, especialistas lembram que despesas obrigatórias – aposentadorias, abono salarial e BPC – continuaram crescendo sem contrapartida de cortes.

Como efeito colateral, a revisão da meta de superávit na LDO de 2024 para 2026 foi apontada por analistas como sinal de permissividade com novos gastos. O Tesouro já projeta a dívida em 83,6% do PIB para o fim de 2026, nível acima da média latino-americana (67%, segundo o IBGE a partir de dados regionais).
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Crédito da imagem: Divulgação / Estadão Conteúdo
